Domingo, 24 de Maio de 2009

62 razões contra a Nova Missa

Sessenta e duas razões porque, em consciência, não podemos assistir à Nova Missa (também conhecida por Missa do Papa Paulo VI, Novus Ordo, Nova Liturgia) seja no vernáculo ou em latim, (com o sacerdote) de frente ao povo ou ao Tabernáculo. Assim, pelas mesmas razões, aderimos fielmente à Missa Tradicional (também conhecida por Missa Tridentina, Missa Latina Antiga, Missal Romano, Missal do Papa São Pio V, Missa De Sempre).
Baseado nas sessenta e duas razões expostas por 25 padres diocesanos da diocese de Campos, Brasil.

1. Porque a Nova Missa não é uma profissão inequívoca da Fé Católica (como a Missa Tradicional), é ambígua e protestante. Portanto, dado que rezamos de acordo com o que cremos, é natural que não possamos rezar com a Missa Nova na maneira protestante e ainda crer como Católicos!

2. Porque as mudanças não foram apenas pequenas mas de facto envolvem “Uma renovação fundamental... uma mudança total...uma nova criação.”(Monsenhor A. Bugnini, co-autor da Missa Nova).

3. Porque a Missa Nova leva-nos a pensar que “as verdades podem ser alteradas ou ignoradas sem infidelidade para com aquele sagrado depósito de doutrina ao qual a Fé Católica se encontra eternamente ligada.”

4. Porque a Missa Nova representa “um afastamento acentuado da teologia católica da Missa tal como foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento”, o qual, ao estabelecer os “cânones”, forneceu uma “barreira insuperável contra qualquer heresia que atacasse a integridade do Mistério.”

5. Porque a diferença entre as duas Missas não reside simplesmente numa questão de mero pormenor ou apenas numa modificação de cerimónia, mas “tudo o que é de valor perene recebe apenas um lugar de menor importância (na Missa Nova), mesmo que subsista.”

6. Porque “Reformas recentes têm mostrado plenamente que as novas mudanças na liturgia não podem levar a nada, excepto a um completo desnorteamento dos fiéis, que já evidenciam sinais de ânsia e afrouxamento da fé.”

7. Porque em tempos de confusão, tais como nos que agora vivemos, somos guiados pelas palavras de Nosso Senhor. “Pelos seus frutos os conheceis.” Os frutos na Missa Nova são: descida de 30% na assistência à Missa de Domingo nos Estados Unidos (NY Times 24/5/75), declínio de 43% na França (Cardeal Marty), declínio de 50% na Holanda (NY Times, 5/1/76).

8. Porque “entre os melhores elementos do clero, o resultado prático (da Missa Nova) é uma agonia de consciência...”

9. Porque em menos de sete anos após a introdução da Missa Nova, o número de sacerdotes no mundo diminuiu de 413.438 a 243.307 – em quase 50% (Estatística da Santa Sé).

10. Porque “as razões pastorais que são aduzidas em apoio de tão grave ruptura com a tradição... não nos parecem adequadas.”

11. Porque a Missa Nova não manifesta a Fé na Real Presença de Nosso Senhor – a Missa tradicional manifesta-a inequivocamente.

12. Porque a Missa Nova confunde a Real Presença de Cristo na Eucaristia com a Sua Presença Mística entre nós (aproximando-se à doutrina protestante).

13. Porque a Missa Nova torna indistinta o que deveria ser uma diferença bem definida entre o sacerdócio HIERÁRQUICO e o sacerdócio comum do povo (tal como o fazem os protestantes).

14. Porque a Missa Nova favorece a teoria herética que é a Fé do povo e não as palavras do sacerdote que torna presente Cristo na Eucaristia.

15. Porque a inserção da “Prece dos Fiéis” luterana na Missa Nova acompanha e expõe o erro protestante de que todas as pessoas são sacerdotes.

16. Porque a Missa Nova elimina o Confíteor do sacerdote, tornando-o colectivo com o povo, deste modo promovendo a recusa de Lutero em aceitar o preceito católico – que o sacerdote é juiz, testemunha e intercessor com Deus.

17. Porque a Missa Nova dá-nos a entender que o povo concelebra com o sacerdote – o que vai contra a teologia católica!

18. Porque seis ministros protestantes colaboraram na confecção da Missa Nova.

19. Porque, da mesma maneira que Lutero eliminou o Ofertório – visto que muito claramente exprimia o caráter sacrificial e propiciatório da Missa – igualmente a Missa Nova cancelou-o, reduzindo-o a uma mera Preparação de Ofertas.

20. Porque uma parte importante da Teologia Católica foi afastada a fim de permitir aos Protestantes, embora mantendo a sua antipatia pela verdadeira Igreja Católica-Romana, utilizar o texto da Missa Nova sem dificuldade. O ministro protestante Thurian disse que um fruto da Missa Nova “será talvez que as comunidades não católicas poderão celebrar a Ceia do Senhor enquanto empregam as mesmas preces que as da Igreja Católica.” (La Croix 30/4/69).

21. Porque a maneira narrativa da Consagração na Missa Nova infere que é apenas "in memoriam", e não um verdadeiro sacrifício (tese protestante).

22. Porque, através de omissões graves, a Missa Nova leva-nos a crer que é somente uma refeição (doutrina protestante) e não um sacrifício pela remissão dos pecados (doutrina católica).

23. Porque tais mudanças como: mesa em vez de altar, (o sacerdote) enfrentando o povo em vez do Tabernáculo, Comunhão na mão, etc., dão ênfase a doutrinas protestantes (p. ex. a Missa é apenas uma refeição, o sacerdote é somente um presidente da assembleia, etc.)

24. Porque os próprios Protestantes têm dito que “As novas preces católicas da Eucaristia abandonaram a falsa perspectiva de um sacrifício oferecido a Deus.” (La Croix 10/12/69).

25. Porque enfrentamos um dilema: ou ficamos protestantizados por assistirmos à Missa Nova, ou preservamos a nossa Fé Católica, aderindo fielmente à Missa Tradicional de todos os Tempos.

26. Porque a Missa Nova foi idealizada de acordo com a definição protestante de Missa: “A Ceia do Senhor ou Missa é uma sagrada sinaxe ou assembleia do povo de Deus que se reúne sob a presidência do sacerdote a fim de celebrar o memorial do Senhor.” (Para 7 Introd. Ao novo Missal, definido a Missa Nova, 6/4/69).

27. Porque, por meio de ambiguidades, a Missa Nova pretende agradar aos Católicos enquanto agrada aos protestantes: é portanto um instrumento de “duas línguas” e ofensivo a Deus, porque Ele detesta qualquer espécie de hipocrisia. “Malditos sejam... os de dupla língua, porque destroem a paz de muitos.” (Sirach 28;13).

28. Porque os belos e familiares hinos Católicos que durante séculos inspiraram as pessoas foram atirados para fora, sendo substituídos por novos hinos com um sentimento fortemente protestante, assim reforçando ainda mais a impressão clara de que não se assiste a uma função católica.

29. Porque a Missa Nova contém ambiguidades que subtilmente favorecem a heresia, sendo isto mais perigoso do que se fosse abertamente herética, dado que uma meia-heresia assemelha-se a uma meia verdade!

30. Porque Cristo tem apenas uma Esposa, a Igreja Católica e o seu serviço de adoração não pode ao mesmo tempo servir também de religiões que são inimigas dela.

31. Porque a Missa Nova acompanha a forma da Missa herética anglicana de Cranmer, e os métodos empregados para a sua promoção seguem precisamente os métodos dos heréticos ingleses.

32. Porque a Santa Madre Igreja canonizou numerosos mártires ingleses que foram mortos porque se recusaram a participar numa Missa como é a Missa Nova!

33. Porque protestantes que se converteram à Fé Católica ficam escandalizados quando vêem que a Missa Nova é igual aquela em que participaram enquanto Protestantes. Um deles, Julien Green, pergunta “Porque convertêmo-nos?

34. Porque a estatística demonstra que houve um grande declínio nas conversões ao catolicismo após a introdução da Missa Nova. As conversões, que tinham atingido 100.000 por ano nos Estados Unidos, diminuíram até menos de 10.000!

35. Porque a Missa Tradicional forjou muitos santos. “Inúmeros santos foram alimentados por ela com a devida piedade para com Deus...” (Papa Paulo VI, Const. Apost. Missale Romanum).

36. Porque a natureza da Missa Nova é tal que facilita profanações da Sagrada Eucaristia, ocorrendo estas com uma frequência que com a Missa Tradicional era inconcebível.

37. Porque a Missa Nova, não obstante as aparências, veicula uma nova Fé, e não a Fé Católica. Veicula o modernismo e acompanha exactamente as táticas do modernismo, utilizando uma terminologia vaga a fim de insinuar e fazer progredir o erro.

38. Porque, introduzindo variações opcionais, a Missa Nova mina a unidade da liturgia, sendo cada sacerdote susceptível de se desviar de acordo com os seus caprichos, sob o disfarce da criatividade.

39. Porque muitos bons teólogos, canonistas e sacerdotes católicos não aceitam a Missa Nova, afirmando que não são capazes de celebrá-la em boa consciência.

40. Porque a Missa Nova eliminou tais coisas como: genuflexões (ficam apenas três), purificação dos dedos do sacerdote no cálice, nenhum contacto profano dos dedos do sacerdote após a Consagração, pedra do altar e relíquias sagradas, três toalhas de altar (reduzidas a somente uma), tudo “servindo apenas para salientar quão ultrajantemente a fé no dogma da Real Presença é implicitamente repudiada”.

41. Porque a Missa Tradicional, enriquecida e amadurecida por séculos de Sagrada Tradição, foi codificada ( e não inventada) por um Papa que era um Santo, Pio V, enquanto a Missa Nova foi artificialmente fabricada.

42. Porque os erros da Missa Nova, acentuados na versão vernacular, estão mesmo presentes no texto latino da Missa Nova.

43. Porque a Missa Nova, com a sua ambiguidade e permissividade, expõe-nos à ira de Deus porque facilita o risco de celebrações inválidas. “Consagrarão validamente os sacerdotes num futuro próximo que não receberam a formação tradicional e que se fiam no Novus Ordo com a intenção de “fazer o que faz a Igreja”? São-nos lícitas certas dúvidas.

44. Porque a abolição da Missa Tradicional lembra-nos da profecia de Daniel 8,12: “E foi-lhe dado poder contra o sacrifício perpetuo por causa dos pecados do povo” e a observação de Santo Afonso de Ligório que sendo a Missa a melhor e mais bela coisa que existe na Igreja aqui na terra, o diabo sempre se esforçou através de hereges de privar-nos dela.

45. Porque nos lugares onde a Missa Tradicional é mantida, a fé e o fervor do povo são maiores, enquanto o contrário verifica-se onde reina a Missa Nova. (Relatório sobre a Missa, Diocese de Campos, ROMA, Buenos Aires §69,8/81).

46. Porque junto com a Missa Nova há uma nova catequese, uma nova moralidade, novas preces, novas ideias, um novo calendário – em suma, uma Nova Igreja, uma total revolução da antiga. “A reforma litúrgica...não se enganem, eis onde começa a revolução.” (Monsenhor Dwyer, Arcebispo de Birmingham, porta-voz do Sínodo Episcopal).

47. Porque a própria beleza intrínseca da Missa Tradicional atrai almas; enquanto a Missa Nova, na falta de qualquer atractivo próprio, tem de inventar novidades e diversões a fim de apelar ao povo.

48. Porque a Missa Nova incorpora numerosos erros condenados pelo Papa São Pio V no Concílio de Trento (Missa inteiramente em vernáculo, as palavras da Consagração ditas em voz alta, etc. Vide condenação do Sínodo Jansenista de Pistoia), e erros condenados pelo Papa Pio XII (P.e. altar em forma de mesa. Vide Mediator Dei).

49. Porque a Missa Nova quer transformar a Igreja Católica numa igreja nova e ecuménica que abranja todas as ideologias, todas as religiões – certas e erradas, verdade e erro; objectivo há muito ansiado pelos inimigos da Igreja Católica.

50. Porque a Missa Nova, ao remover as saudações e a bênção final quando o sacerdote celebra sozinho, mostra uma falta de crença na Comunhão dos Santos.

51. Porque o altar e o Tabernáculo agora encontram-se separados, assinalando deste modo uma divisão entre Cristo e o Seu sacerdote e o Sacrifício no altar, de Cristo na Sua Real Presença no Tabernáculo, duas coisas que, pela própria natureza, devem ficar juntas (Pio XII).

52. Porque a Missa Nova já não constitui um culto vertical do homem a Deus, mas um culto horizontal entre os homens.

53. Porque a Missa Nova, embora pareça conformar-se às provisões do Concílio Vaticano II, na realidade opõe-se às suas instruções, dado que o Concílio proclamou o desejo de conservar e promover o rito tradicional.

54. Porque a Missa Latina tradicional do Papa São Pio V nunca foi legalmente revogada e portanto permanece um autêntico rito da Igreja Católica por meio da qual os Católicos podem cumprir a sua obrigação dominical.

55. Porque o Papa São Pio V concedeu um indulto perpétuo, válido “para sempre”, para se celebrar a Missa Tradicional livre e licitamente, sem escrúpulo de consciência, sentença ou censura (Bula Papal “Quo Primum”).

56. Porque o próprio Papa Paulo VI, ao promulgar a Missa Nova, declarou que “O rito em si NÃO é uma definição dogmática...” (19/11/69).

57. Porque o Papa Paulo VI, quando lhe perguntou o Cardeal Heenan da Inglaterra se revogara ou proibia a Missa Tridentina, respondeu: “Não é minha intenção de proibir absolutamente a Missa Tridentina.”

58. Porque no “Líbera Nos da Missa Nova, a Santíssima Virgem, os Apóstolos e todos os Santos já não são mencionados; a Ela e a eles assim já não se pede a intercessão, mesmo em tempo de perigo.”

59. Porque em nenhuma das três novas Preces Eucarísticas (da Missa Nova) existe referência alguma...ao estado de sofrimento dos que faleceram, em nenhuma há a possibilidade de um particular Memento”, assim minando a fé na natureza redentora do Sacrifício.”

60. Porque muito embora reconheçamos a autoridade suprema do Santo Padre no seu governo universal da Santa Madre Igreja, sabemos também que mesmo esta autoridade não nos pode impor uma prática que é tão CLARAMENTE contra a Fé: uma Missa que é equívoca e favorecedora da heresia e por isso desagradável a Deus.

61. Porque como consta do Concílio Vaticano I, “não se prometeu aos sucessores de Pedro o Espírito Santo, a fim de que pela sua revelação pudessem fazer uma nova doutrina, mas sim a fim de com o Seu auxílio pudessem inviolavelmente manter e fielmente expor a revelação ou depósito de fé entregue através dos Apóstolos.” (D.S.3070).

62. Porque a heresia, ou qualquer coisa que favoreça a heresia, não pode constituir matéria de obediência. A obediência fica ao serviço da Fé e não é a Fé que fica ao serviço da obediência! No caso precedente, então, “Deve-se obedecer antes a Deus que aos homens”. (Atos dos Apóstolos, 5,29).

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

A intolerância católica

(Sermão pregado na catedral de Chartres em 1841 que continua muito actual.)

Meus irmãos,

O nosso século clama: "tolerância, tolerância". Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais do que a franqueza e eu aqui estou para vos dizer, sem disfarce, que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a verdade e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas antes de entrar no mérito, distingamos as coisas, convenhamos sobre o sentido das palavras para bem nos entendermos e assim não nos confundiremos.

A tolerância pode ser civil ou teológica. A primeira não nos diz respeito e não falarei senão uma pequena palavra sobre ela: se a lei tolerante quer dizer que a sociedade permite todas as religiões porque, a seus olhos, elas são todas igualmente boas ou porque as autoridades se consideram incompetentes para tomar partido neste assunto, tal lei é ímpia e ateia. Ela exprime não a tolerância civil, como a seguir indicaremos, mas a tolerância dogmática que, por uma neutralidade criminosa, justifica nos indivíduos a mais absoluta indiferença religiosa. Ao contrário, se reconhecendo que uma só religião é boa, a lei suporta e permite que as demais se possam exercer por amor à tranquilidade pública, esta lei poderá ser sábia e necessária, se assim o pedirem as circunstâncias, como outros antes de mim já observaram.

Deixo porém este campo cheio de dificuldades e volto-me para a questão propriamente religiosa e teológica em que exponho estes dois princípios: primeiro, a religião que vem do céu é verdade e é intolerante em relação às doutrinas erróneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade e é cheia de tolerância quanto às pessoas.

Roguemos a Nossa Senhora para que venha em nossa ajuda e invoque para nós o Espírito de verdade e de caridade: Spiritum veritatis et pacis. Ave Maria.

Faz parte da essência de toda verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, pode-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Compreendo e peço a liberdade de opinião nas coisas duvidosas: in dubiis, libertas. Mas logo que a verdade se apresenta com as características certas que a distinguem, por isso mesmo que é verdade, ela é positiva, ela é necessária e por consequência ela é una e intolerante: in necessariis, unitas. Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação aniquila-se se duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se admite com indiferença que se ponha a seu lado a sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa é preciso defendê-la sob pena de se ser despojado dela bem cedo.

Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas, a intolerância está em toda parte porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. O que há de mais intolerante do que esta proposição: 2 e 2 fazem 4? Se vierdes me dizer que 2 e 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 e 2 fazem 4...

Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: "unus Dóminus, una fides, unum baptisma". Há, no céu, um só Senhor: unus Dóminus. Esse Deus, cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: una fides. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: unum baptisma. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de Deus, produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à unidade hierárquica do sacerdócio: um Deus, uma fé, uma Igreja: unus Dóminus, una fides, unum baptisma.

Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de Jesus Cristo e o filósofo de Genebra [Rousseau] disse, falando do Salvador dos homens: "Não vejo que o meu divino Mestre tenha formulado subtilezas sobre o dogma". Bem verdadeiro, meus irmãos. Jesus Cristo não formulou subtilezas sobre o dogma, mas trouxe aos homens a verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo; se alguém se recusar a comer a minha carne e a beber o meu sangre, não terá parte no meu reino. Confesso que nisso não há subtilezas, há intolerância, há exclusão, a mais positiva, a mais franca. E mais, Jesus Cristo enviou os seus apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes para estabelecer em toda a terra a única religião cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico. E prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina iria incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz mas a espada e acender a guerra não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família e separar, pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão: Jesus Cristo não formulou subtilezas sobre o dogma.

Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros - eram todos demónios - não eram
exclusivos, toleravam-se uns aos outros: Satanás não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando as suas conquistas, multiplicava os seus deuses e o estudo da sua mitologia complica-se na mesma proporção do que o da sua geografia. O triunfador que subia ao capitólio, fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. A maior parte das vezes, em virtude de um senatus-consultus, os ídolos dos bárbaros confundiam-se desde então com o domínio da pátria e o Olimpo nacional crescia como o Império.

Quando aparece o cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de algum valor com relação ao assunto presente), o cristianismo quando apareceu pela primeira vez, não foi logo repelido subitamente. O paganismo perguntou-se se, ao invés de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu solo. A Judeia tinha-se tornado numa província romana. Roma, acostumada a receber e a conciliar todas as religiões, recebeu a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judeia. Um imperador colocou Jesus Cristo assim como Abraão entre as divindades do seu oratório, como também se viu mais tarde um outro César propôr prestar-se-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do profeta não tardou a verificar-se: as multidões de ídolos que viam, de ordinário e sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros serem colocados ao lado deles, com a chegada do Deus dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranquila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados: ecce Dóminus ascendit, et commovebuntur simulacra a facie ejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo, quando se percebeu que esse Deus novo era um irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando se viu que os cristãos, dos quais se admitira o culto, não queriam admitir o culto da nação; numa palavra, quando se constatou o espírito intolerante da fé cristã, foi aí então que começou a perseguição.

Ouvi como os historiadores do tempo justificaram as torturas dos cristãos. Eles não falaram mal da sua religião, do seu Deus, do seu Cristo, das suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles censuram-nos somente por não poderem suportar outra religião que não seja a sua. "Eu não tinha dúvidas", diz Plínio o jovem, "que apesar do seu dogma, não era preciso punir a sua teimosia e a sua obstinação inflexível": pervicaciam et inflexibilem obstinationem. "Não são criminosos", diz Tácito, "mas são intolerantes, misantropos, inimigos do género humano. Há neles uma fé teimosa nos seus princípios, e uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos": apud ipsos fides obstinata, sed adversus omnes alios hostile odium. Os pagãos diziam geralmente dos cristãos o que Celso disse dos judeus, com os quais foram muito tempo confundidos, porque a doutrina cristã tinha nascido na Judeia. "Que esses homens adiram inviolavelmente às suas leis", dizia este sofista, "nisso não os censuro; eu só censuro aqueles que abandonam a religião dos seus pais para abraçarem uma diferente! Mas se os judeus, ou os cristãos, querem só dar ares de uma sabedoria mais sublime do que aquela do resto do mundo, eu diria que não se deve crer que eles sejam mais agradáveis a Deus do que os outros".

Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo, e, como se dizia, o humor insociável da sua teologia. Se só se tratasse de um Deus a mais, não teria havido reclamações; mas era um Deus incompatível, que expulsava todos os outros: eis o porquê da perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi uma obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é outra do que a história dessa intolerância. O que são os mártires? Intolerantes em matéria de fé, que preferem os suplícios a professarem o erro. O que são os símbolos? São fórmulas de intolerância, que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. O que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade de fé.
Porquê os concílios? Para frear os desvios de pensamento, condenar as falsas interpretações do dogma; anatematizar as proposições contrárias à fé.

Nós somos então intolerantes, exclusivos em matéria de doutrina; fazemos profissão disto; orgulhamo-nos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a verdade, pois que a verdade é uma, e consequentemente intolerante. Filha do céu, a religião cristã, descendo sobre a terra, apresentou os títulos da sua origem; ofereceu ao exame da razão factos incontestáveis, e que provam irrefutavelmente a sua divindade. Ora, se ela vem de Deus, se Jesus Cristo, seu autor, pode dizer: Eu sou a verdade: Ego sum veritas, é necessário por uma consequência inevitável que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta verdade tal e qual a recebeu do céu; é necessário que repila, que exclua tudo o que é contrário a esta verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar a Igreja Católica pela sua intolerância dogmática, pela sua afirmação absoluta em matéria de doutrina, é dirigir-lhe uma recriminação muito honrável. É recriminar a sentinela por ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar a esposa por ser muito delicada e exclusiva.

Nós ficamos muitas vezes confusos pelo que ouvimos falar sobre todas estas questões, até por pessoas de bom-senso. A lógica falta-lhes desde que se trate de religião. É a paixão, é o preconceito que os cega? É um e outro. No fundo, as paixões sabem bem o que elas querem quando procuram abalar os fundamentos da fé, pondo a religião entre as coisas sem consistência. Elas não ignoram que, demolindo o dogma, preparam para si uma moral fácil. Diz-se com uma justeza perfeita: é antes o decálogo do que o símbolo que as faz incrédulas. Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que se equivalem todas umas às outras; se todas são verdadeiras é porque todas são falsas; se todos os deuses se toleram, é porque não há Deus. E se se pode chegar aí, não sobra mais nenhuma moral incómoda. Quantas consciências estariam tranquilas no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas suas rivais!

Jean-Jacques [Rousseau] foi entre nós o apologista e o propagador desse sistema de tolerância religiosa. A invenção não lhe pertence, se bem que ele tenha ido mais longe do que o paganismo, que nunca chegou a levar a indiferença a tal ponto. Eis, com um curto comentário, o ponto principal do catecismo genebrino, tornado infelizmente popular: todas as religiões são boas. Isto é, de outra forma, todas as religiões são más.

A filosofia do século XIX espalha-se por mil canais sobre toda a superfície da França. Esta filosofia é chamada eclética, sincrética e, com uma pequena modificação, é também chamada de progressiva. Esse belo sistema consiste em dizer que não existe nada de falso; que todas as opiniões e todas as religiões podem ser reconciliadas; que o erro não é possível ao Homem, a menos que ele se despoje da sua humanidade; que todo o erro dos homens consiste em crer que possuem exclusivamente toda a verdade, quando cada um deles só tem um elo e que, da reunião de todos esses elos, deve-se formar a corrente inteira da verdade. Assim, segundo essa inacreditável teoria, não há religiões falsas, mas são todas incompletas umas sem as outras. A verdadeira religião seria a religião do ecletismo sincrético e progressivo, a qual juntaria todas as outras, passadas, presentes e futuras: todas as outras, isto é, a religião natural que reconhece um Deus; o ateísmo que não conhece nenhum; o panteísmo que o reconhece em tudo e por tudo; o espiritualismo que crê na alma, e o materialismo que só crê na carne, no sangue e nos humores; as sociedades evangélicas que admitem uma revelação, e o deísmo racionalista que a rejeita; o cristianismo que crê no Messias que veio e o judaísmo que o ainda espera; o catolicismo que obedece ao Papa, o protestantismo que olha o Papa como o anti-Cristo. Tudo isto é reconciliável. São diferentes aspectos da verdade. Da união desses cultos resultará um culto mais largo, mais vasto, o grande culto verdadeiramente católico, isto é, universal, pois que abrigará todas as outras no seu seio.

Esta doutrina que qualificais de absurda, não é de minha invenção; ela enche milhares de volumes e de publicações recentes; e, sem que o seu fundo jamais varie, ela toma todos os dias novas formas sob a caneta e sobre os lábios dos homens entre as mãos dos quais repousam os destinos da França. -- A que ponto de loucura chegámos nós então? -- Nós chegámos ao ponto onde deve logicamente chegar todo aquele que não admite o princípio incontestável que estabelecemos, a saber: que a verdade é uma, e por consequência intolerante, exclusiva de toda doutrina que não a sua. E, para juntar em poucas palavras toda a substância deste meu discurso, eu dir-lhes-ei: procurais a verdade sobre a terra? Procurai a Igreja intolerante. Todos os erros podem fazer concessões mútuas uns aos outros; eles são parentes próximos, pois que têm um pai comum: vos ex patre diabolo estis. A verdade, filha do céu, é a única que não capitula.

Vós, pois, que quereis julgar esta grande causa, tomai para isto a sabedoria de Salomão. Entre essas diferentes sociedades para as quais a verdade é um objecto de litígio, como era aquela criança entre as duas mães, quereis saber a quem adjudicá-la? Pedi que vos dêem uma espada, fingi cortar, e examinai as caras que farão os pretendentes. Haverá vários que se resignarão, que se contentarão da parte que vão ter. Dizei logo: essas não são as mães! Há uma cara, ao contrário, que se recusará a toda composição, que dirá: a verdade pertence-me e eu devo conservá-la inteira, jamais tolerarei que seja diminuída ou partida. Dizei: esta aqui é a verdadeira mãe!

Sim, Santa Igreja Católica, vós tendes a verdade, porque vós tendes a unidade, e porque vós sois intolerante e não deixais decompor esta unidade.

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

A melhor maneira de assistir à Missa, é rezar a Missa

Esta pequena reflexão é do Pe. Arthur Tonne, impresso pela primeira vez em 1950 em "Talks on the Mass". Tomei algumas liberdades com a tradução que se segue, mantendo-me o mais fiel à palavra do autor.


Uma das queixas mais comuns que se ouve entre os modernistas é de que a Igreja tem de mudar a Missa do latim para o vernáculo porque poucas são as pessoas que têm um conhecimento efectivo do latim para o poder compreender na totalidade. “Quando a Missa fôr dita no vernáculo”, dizem, “não restará dúvida alguma quanto ao que se passa no altar”. Contudo, como sabemos, esta observação não tem grande cabimento. Há, aliás, uma odiosa presunção patente em todo esse discurso de que a maioria dos fiéis católicos são uns imbecis e de que se sentam completamente perplexos e ignorantes nos bancos das igrejas sem a mínima ideia sobre aquilo que se está a passar no altar.


Presunções e afirmações deste género só podem vir de quem tem corações vazios e mentes fracas. Não quero, porém, assumir para já que os homens eruditos que propõem estas novidades litúrgicas, o fazem com um espírito malicioso, distorcendo propositadamente os factos para que sejam aprovadas mudanças radicais na Sagrada Liturgia que satisfaçam os seus objectivos.


Estes professores modernos da práxis litúrgica não conseguem ou não querem compreender o cerne da questão. Centenas de vezes ao dia, no nosso país e por todo o mundo fora, os fiéis são ensinados pelos seus pastores e por piedosos religiosos e religiosas como é que se deve assistir à Missa. Antes da sua Primeira Comunhão, as pequenas criancinhas são ensinadas pelas veneráveis irmãs como devem assistir à Missa. Seguramente que estas jovens mentes não conseguem compreender todo o Latim que o sacerdote diz, mas se alguém abordar alguma destas crianças, depois de ter sido instruida pelas freiras, e lhe perguntar o que é que o padre está a fazer no altar, ouso afirmar que até mesmo esse pequeno infante é capaz de dizer ao inquisidor, com a precisão própria da idade, o que é que o sacerdote está a fazer na Missa. A Igreja não tem, então, culpa alguma de manter os fiéis numa suposta escuridão quanto à compreensão da Missa só porque esta é dita em latim. Não! É por causa da falta de catequese e de instrução dos fiéis ou pela ignorância de católicos pouco piedosos que hoje são tantos os fiéis que afirmam que não sabem o que estão a fazer na Santa Missa e que a Missa em latim não tem nenhum significado para eles. Ora, para que possamos obter as maiores bênçãos da Santa Missa, devemos tentar cultivar uma devoção mais profunda e um entendimento mais completo deste sublime Sacrifício de Nosso Senhor.


Rezar com entendimento é o propóstio e a ambição que a Santa Madre Igreja tem para todos os seus filhos, especialmente no que à Santa Missa diz respeito. É impossível que cada paróquia no mundo tenha as boas irmãs para catequizar todos os seus fiéis. Mas é possível lutar e ansiar pelo dia em que cada católico capaz de ler tenha um missal consigo para acompanhar a liturgia, compreendendo assim mais profundamente o que se está a passar e o que se está a dizer no altar.


Inquestionavelmente, o melhor método de ouvir a Santa Missa é com um missal, i.e., um livro que tem a tradução em vernáculo das preces que o sacerdote diz no altar. Cada vez mais são os católicos que estão a usar este método inteligente de assistir ao Santo Sacrifício. Embora nem todas as pessoas tenham o que é conhecido como o “missal quotidiano”, muitas têm uma versão reduzida do missal maior que o padre usa no altar. Tem apenas as Missas dos Domingos e das festas principais. Alguns destes missais foram tão simplificados e ordenados que qualquer católico com uma inteligência média e capaz de ler poderá acompanhar as preces sem qualquer tipo de dificuldade. Mas quer se use um missal quotidiano, quer se use um missal dominical, o resultado será sempre o mesmo: aqueles que estão a assistir à Missa fá-lo-ão com maior devoção e com maior entendimento. Essa é a intenção expressa pelo Papa S. Pio X, que disse: “Não deveis apenas rezar na Missa, deveis rezar a Missa."


As variadas preces e cerimónias indicam o desejo maternal da Santa Madre Igreja de que os fiéis cooperem activamente com o sacerdote na celebração dos Sagrados Mistérios. A Missa não é a tarefa ou a função exclusiva do sacerdote, é também o sacrifício unido do sacerdote e do povo. É verdade que apenas o sacerdote tem o supremo poder de, in persona Christi, consagrar e oferecer o Sacrifício do altar à Santíssima Trindade para remissão dos nossos pecados. Contudo, nessa mesma oferenda, ele é assistido pelos fiéis. A melhor maneira para que todos possamos apreciar a beleza da liturgia e retirar dela todos os frutos é usando um desses missais.


Quando não se usa um missal, perde-se muito da profundidade das preces litúrgicas. Ainda que o sacerdote leia a Epístola e o Evangelho em vernáculo antes do sermão, muitas das belíssimas passagens da Sagrada Escritura citadas durante o resto da Missa serão ignoradas pela maioria dos fiéis que não tiverem o missal. Através de uma leitura atenta das palavras rezadas pelo sacerdote, pode-se compreender todo o tema da Igreja para um Domingo em particular. Sem o missal será mais difícil que o fiel possa encontrar o grande tesouro de graças que se encontra em muitas das preces da Missa.


Ainda que se recomende vivamente aos fiéis para que oiçam a Missa com um missal, o uso do mesmo não é de maneira alguma obrigatório! Há muitos outros métodos de assistir ao Santo Sacrifício que podem igualmente possibilitar à alma obter um grande número de graças. Há pessoas que têm preces ou devoções predilectas que usam desde a sua infância e que, a menos que as digam, não sentem que tenham ido à Missa. Outras encontram-se frequentemente a dizer o seu terço. Esta também é uma devoção eucarística: o Credo faz parte da Missa, assim como o Pai Nosso, e ambas estas preces também se encontram no Santíssimo Rosário. Se a recitação do terço durante a Missa leva o fiel a ter maior devoção e atenção aos mistérios da Missa, então, com a bênção de Deus, dizei essas preces e recitai essas devoções cada vez que o Santo Sacrifício fôr oferecido para a remissão dos nossos pecados.


Independentemente do método que se use para assistir à Santa Missa, o mais importante é que estejamos preparados e com as disposições certas. Ir à Missa só por obrigação irá progressivamente murchar o nosso coração e apagar a chama da caridade dentro de nós. A mente humana rapidamente começa a vaguear no silêncio da oração, por isso é importante que arranjemos instrumentos que nos ajudem a manter a devida atenção e a obter as maiores graças.


Os modernistas litúrgicos estão a fazer tudo o que podem para convencerem-nos de que a Missa em latim será a ruína da Igreja Católica na nossa idade moderna. Nós deveremos estar prontos para mostrar-lhes que a resposta para o incremento da devoção e da atenção dos fiéis à Liturgia não se encontra na introdução de ideias novas. Pelo contrário, virá do esforço pessoal de cada um para obter todos os frutos possíveis da sua assistência ao Santo Sacrifício do altar.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

O "Retorno" dos Filhos Pródigos

Como foi noticiado este Sábado último, dia 24 de Janeiro, Sua Santidade o Papa Bento XVI levantou os decretos de excomunhão que injusta e escandalosamente pesavam sobre os quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X - D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta - desde a sua sagração episcopal em 1988 por D. Marcel Lefebvre e D. Antônio de Castro Mayer, indubitavelmente dois heróis da Fé e da Igreja do séc. XX. No mundo dos blogues e sites da Tradição católica esta notícia já teve o eco retumbante que merecia e, salvo uma ou outra questão, não posso deixar de estar também de acordo com a reacção geral e revelar-me profundamente grato e feliz por esta decisão papal ter conhecido a luz do dia enquanto ainda estou cá neste mundo para testemunhá-la. Apesar da saudosa memória de D. Lefebvre e de D. Castro Mayer não ficar devidamente limpa com este decreto, sem dúvida que o clima actual será muito mais propício para que tal se dê num futuro talvez não tão distante como isso.


O facto mais importante a realçar é que este levantamento das excomunhões não requereu da Fraternidade nada mais do que o reconhecimento da sua filiação ao Sumo Pontífice, à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua sã doutrina, isto é, não houve para já nenhum compromisso em relação ao Concílio Vaticano II ou à missa de Paulo VI. Mais importante ainda, e como nos revelou a carta aos fiéis do Superior Geral da F.S.S.P.X., as portas estão finalmente abertas para que se iniciem discussões doutrinárias sérias e essenciais com a Santa Sé sobre as novidades conciliares. Sem dúvida que esta será a parte mais difícil e tortuosa de todas mas também a mais necessária. O Demónio, sempre vigilante e cioso das nossas almas, estará atento e tudo fará para que a Igreja militante não acorde desta apostasia silenciosa em que está tragicamente submergida desde há mais de 40 anos. Por isso, caríssimos irmãos na fé, devemos todos mais do que nunca cerrar fileiras, dar o exemplo diário da nossa fé, rezar e fazer penitência, recorrendo a Maria Santíssima, Mãe de Misericórida e Sede de Sapiência, para que tais discussões se dêem o quanto antes e com o bom fruto que todos esperamos e desejamos.

Ainda que no terreno nada tenha para já mudado - no fundo, voltámos à situação pré-1988 no que aos bispos e padres da Fraternidade diz respeito - foi dado um passo muito importante para que o combate da fé se possa começar a desenrolar dentro das estruturas visíveis da Igreja e para que os católicos possam finalmente começar a (re)descobrir a Tradição católica sem aquele clima de desconfiança e de medo que o rótulo da excomunhão inevitavelmente acarretava. Depois do motu proprio Summorum Pontificum Cura que liberalizou a missa de sempre, este levantamento das excomunhões aos bispos da F.S.S.P.X. é um sinal claro de que a batalha pela fé dentro das nossas paróquias, dioceses, arcebispados e mesmo dentro da Cúria em Roma está viva, a crescer e a dar passos importantes no sentido de uma futura restauração. Devemos ser prudentes, é claro, e não embarcar ingenuamente em euforias - afinal, S.S. Paulo VI também levantou escandalosamente as excomunhões aos Ortodoxos em 1965 (sem requerer sequer um reconhecimento de culpa ou uma admissão da autoridade papal por parte desses hereges!) e até hoje nada aconteceu em termos práticos - mas devemos também estar cautelosamente optimistas porque Deus não abandona a Sua Igreja.

Quanto ao nosso dia-a-dia cá em Portugal, veremos o que este novo clima nos trará num futuro a curto e a médio-prazo. Apesar da clara hostilidade à Igreja por parte de uma grande parte da hierarquia portuguesa, por ventura enfeitiçados ad nauseam pelo "espírito do Concílio" e pela protestantização da Igreja, cada vez mais leigos e sacerdotes poderão descobrir agora a missa de sempre, a Fraternidade e a sã doutrina, visto que estas já não estão estigmatizadas e "excomungadas" por Roma, nem nunca poderiam ter estado.

Finalmente, o nosso agradecimento filial ao Santo Padre que muito sofreu na pele por parte dos lobos que o cerceiam para anular estas excomunhões. Que Cristo reine nos nossos corações, nas nossas famílias, na nossa sociedade e nas nossas igrejas!

"Beati estis cum maledixerint vobis et persecuti vos fuerint et dixerint omne malum adversum vos mentientes propter me, gaudete et exultate quoniam merces vestra copiosa est in caelis sic enim persecuti sunt prophetas qui fuerunt ante vos."(Mat 5:11-12)

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

"O Espírito sopra onde quer" - A revolução na Igreja em fotos

Na foto ao lado pode-se ver uma Missa ao ar livre a ser concelebrada durante um piquenique em França. Os dois homens que estão sentandos no chão enquanto pronunciam a fórmula de Consagração são, respectivamente, Sua Excelência o Bispo Norbert Henri Turini de Cahors, França, e o Pe. Guy Gilbert, que é mais conhecido como o "Padre dos Delinquentes" por causa do seu trabalho junto da juventude criminosa.


Nas duas fotos em baixo, poder-se-á observar o bispo e o padre durante a sua Missa blasfema, escandalosamente oferecendo o Sacratíssimo Corpo e Sangue do Nosso Salvador às pessoas que assistiam em atmosfera descontraída e obscena a tal "cerimónia".


Em baixo e à direita, o Pe. Gilbert a usar o seu já célebre e infame traje de motoqueiro; nas fotos à esquerda e ao centro, este extravagante sacerdote é recebido afavelmente quer por S.S. Bento XVI em 2007, quer por S.S. João Paulo II em 2004.

Os mais incautos que imaginam que os Papas Conciliares são contra tais "excessos" na liturgia, deveriam seriamente repensar as suas posições.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Evangelização vs. Ecumenismo

De 20 a 25 de Abril [deste ano] o padre Karl Stehlin, o superior distrital da F.S.S.P.X. para a Europa de Leste, deu um retiro inaciano na Letónia. O website do distrito alemão da F.S.S.P.X. reportou este evento a 17 de Maio de 2008.


Não só pariticiparam [neste retiro] sete leigos, como também onze clérigos protestantes, incluindo o chefe da comunidade luterana da Letónia, o arcebispo da diocese luterana de Riga.

Nos seus sermões durante o retiro inaciano, o padre Stehlin pregou sobre o Santo Sacrifício da Missa, sobre a Mãe de Deus, sobre a graça divina, sobre os sete sacramentos e sobre a única Igreja que é somente ela sanctificante. Durante este retiro falou-se [também] sobre vários temas de fé e de vida religiosa.

Os pastores luteranos declararam que tinham pedido a um tradicionalista [que desse o retiro] porque os encontros ecuménicos com os representates oficiais da Igreja Católica muitas vezes consistiam só de palavras bonitas, de bons falantes sem nenhum conteúdo e substância nas suas palavras. Muitos afirmaram que tinham ficado com a impressão de que os católicos de hoje estão acima de tudo predispostos a imitar os protestantes.

Entretanto, um deles disse: "Nós estamos à procura da Verdade, à procura de uma clarificação das imensas ambiguidades e contradições que se encontram dentro da nossa própria fé protestante". Eles queriam aprender a doutrina autêntica da Igreja Católica Romana. Mas hoje esta doutrina só poderia ser claramente pregada pelo clero tradicionalista: "Estes [padres] não são uns bons falantes ecuménicos sem espinha, mas sim pregadores eloquentes do autêntico depósito de fé católico", disse um dos pastores luteranos.

De acordo com o website, a gratidão dos participantes foi imensa: "Os pastores disseram que gostaram particularmente do método de St. Inácio de Loiola que lhes abriu acesso à Sagrada Escritura". Os pastores luteranos e o seu arcebispo ficaram igualmente tocados pela Mariologia pregada pelo padre Stehlin e "com grande intensidade e piedade, [também] assistiram ao rito católico da Missa".

"O desejo ardente de descobrir a plenitude da verdade estava claramente presente em todos eles", delcarou o padre Stehlin. Após os exercícios espirituais, o padre recebeu a notícia que um dos participantes já se convertera ao Catolicismo.

O arcebispo luterano de Riga, líder de toda a comunidade luterana da Letónia, pediu ao padre Stehlin para que voltasse novamente dentro de pouco tempo para dar os seus retiros inacianos a um grupo maior de leigos católicos e protestantes e pastores luteranos.

O retiro de Riga tem uma história que lhe precede. Já em Novembro de 2006 o padre Stehlin tinha dado um retiro inaciano a pastores luteranos na Estónia, um país que faz fronteira a norte [da Letónia]. Um dos pastores presentes em Novembro de 2006 era letão. Ele ficou particularmente tocado pela Mariologia [pregada no retiro] e no final declarou: "Encontrei a minha mãe".

Após esse encontro o contacto com ele perdeu-se, mas há uns meses atrás o padre Stehlin recebeu um convite seu [n.t. "do pastor luterano"] para vir à Letónia e organizar um retiro para um grupo maior de pastores luteranos.

"Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado." (Mc 16:15-16)

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Chamada à pedra

Levando em linha de conta uma presença mais assídua nos blogues da Tradição da brigada Novus Ordo, sinal por si só encorajador de que a Verdade da Igreja está aos poucos a passar cá para fora e abalar os alicerces de barro da fé conciliar, brigada essa que vem bradando aos sete ventos o quão cismáticos, excomungados e até protestantes somos todos nós, para além das ridículas acusações de "salázio-fascistas" (termo esse incompreensível) por parte de alguns "católicos-socialistas", porventura ignorando ou escarnecendo das sábias palavras de Pio XI que afirmou que "nenhum católico pode ser socialista" (Enc. Quadragesimo Anno, 1931). Detenho-me neste breve post a reproduzir, com uma ou outra alteração de pormenor, um excerto de perguntas e respostas (F.A.Q) de um conhecido site estrangeiro.

Parece-me pertinente esta chamada de atenção, acima de tudo tendo em conta que a brigada Novus Ordo quer à força que nos convertamos à fé conciliar que, alguns deles certamente em boa consciência, lunaticamente afirmam ser a Fé Católica, estigmatizando a heróica resistência católica como se de um bando de excomungados e hereges se tratasse, esquecendo-se eles mesmos de aplicar esses devidos conceitos teológicos aos verdadeiros excomungados e hereges que os ventos conciliares resolveram apelidar de "irmãos separados".

Passemos então a reproduzir a acusação frequente aos católicos tradicionais, aqui apelidados de "tradicionalistas" apenas por facilidade de expressão visto que o termo em si não é correcto, e a sua devida resposta.

Acusação: "Vocês soam a protestantes. Vocês desobedecem à Igreja e arranjam as vossas próprias desculpas para fazerem-no! Vocês rejeitam o Papa e os seus ensinamentos. Vocês não são nada mais do que uma espécie de protestantes!"

Resposta: Esta resposta terá duas partes. Primeiramente, vamos assumir que isto é verdade. Vamos assumir que sim, que somos na verdade uma espécie de protestantes, que somos o Martinho Lutero levado ao outro extremo. E daí? A Igreja do Vaticano II não tem nenhum problema com isso. Na verdade, o Vaticano II afirma (vd. Unitatis Redintegratio, nº 3) que como protestantes, nós os tradicionalistas, somos "justamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor" e - note-se bem! - não fomos de forma alguma "despojados de sentido e de significação no mistério da salvação" porque "o Espírito de Cristo não recusa servir-se [de nós] como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica. " Aí o têm! Descontraiam-se! Nós estamos muito honrados em ser protestantes, visto que o próprio Deus Nosso Senhor faz uso de nós para salvar almas! Na verdade, quando baptizamos alguém estamos a usar uma acção litúrgica que "deve mesmo ser tida como apta para abrir a porta à comunhão da salvação." Portanto, deixem de se queixar que somos protestantes. Vocês deveriam ter orgulho no facto de que somos protestantes! Estamos à espera que nos dêem anéis episcopais e cruzes peitorais, que assinem acordos teológicos connosco, que rezemos vésperas em conjunto e, quando um de nós deixar este mundo e fôr ter com o Pai, nós esperamos que imitem Bento XVI e que o declarem como tendo sido "um servo fiel" e como tendo atingido "a eterna glória"!

Passemos agora à segunda resposta. Sejamos sérios: são os tradicionalistas que assistem e promovem um rito protestante-modernista ilícito (e provavelmente inválido)? Não. São os tradicionalistas que assinam acordos teológicos com os hereges? Não. São os tradicionalistas que dizem que o Espírito Santo usa as seitas protestantes como meios de salvação? Não. São os tradicionalistas que agem como se os protestantes tivessem um mandato apostólico para pregar o Evangelho? Não. São os tradicionalistas que desbaratam insígnias da dignidade episcopal como os anéis ou as cruzes peitorais e oferecem-nos a leigos protestantes mascarados de clero? Não. São os tradicionalistas que convidam o clero protestante para serviços ecuménicos de culto partilhado e que permitem até a construção de igrejas partilhadas por católicos e protestantes, como o Directório sobre o Ecumenismo de João Paulo II diz (Pontificium consilium ad christianorum unitatem fovendam, n. 137-1140)? Não. São os tradicionalistas que ajudam os hereges a celebrarem os seus falsos cultos "dignamente" ao emprestarem-lhes o que fôr necessário para o mesmo, como João Paulo II disse que os seus bispos poderiam fazer (n. 137)? Não. São os tradicionalistas que negam, comprometem, ou obscurecem qualquer doutrina católica, especialmente as definidas pelo Concílio de Trento contra os protestantes? Não.

A Igreja Novus Ordo (ou Igreja conciliar) faz isso tudo. Os tradicionalistas não. E mesmo assim, nós é que somos os protestantes? A Igreja Novus Ordo é uma Igreja neo-protestante, uma filha bastarda do demónio, não é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica Romana, fora da qual não há salvação. É por isso que, apesar de todas as nossas imperfeições, deficiências e pecaminosidade, fazemos votos de a combatermos até à morte, justamente por amor à glória de Deus Nosso Senhor e confiando as nossas orações à Virgem Santíssima, aos Santos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e a todos os Santos e mártires que, preferindo antes a morte à apostasia, deixaram-nos o precioso exemplo e legado de defender, guardar e espalhar a santa fé única e salvífica a toda a criatura do mundo.

Não quero acabar sem antes deixar-vos as proféticas palavras do então Secretário de Estado do Vaticano, o Monsenhor Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII, vislumbrando a crise apocalíptica em que a Igreja se viria submergida anos depois:

"Estou preocupado com as mensagens da Virgem Santíssima a Lúcia de Fátima. Esta persistência de Maria acerca dos perigos que ameaçam a Igreja é um aviso divino contra o suicídio de alterar a Fé na sua liturgia...Um dia virá em que o mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem tornou-se Deus...Nas nossas igrejas, os cristãos procurarão em vão pela lâmpada vermelha onde Deus os espera, e como Maria Madalena a chorar diante o túmulo vazio, eles perguntarão 'para onde é que O levaram?'...Oiço a toda a minha volta inovadores que desejam desmantelar a Capela Sagrada, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os seus ornamentos e fazê-la sentir remorsos pelo seu passado histórico."

O quão actuais e proféticas se reveleram estas palavras do futuro Papa. O panorama é negro mas não temamos pois "se Deus é por nós, quem será contra nós?"

"Cristo vive, Cristo reina, Cristo impera!"

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Um minuto com o Bispo Williamson

Sendo eu próprio um apreciador da sensatez, argúcia e clarividência que Sua Excelência Reverendíssima o Bispo Richard Williamson da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X costuma ter ao analisar a crise actual na Igreja, reproduzo aqui uma pequena sessão de perguntas e respostas que teve com um leitor e que publicou recentemente no seu blogue, Dinoscopus.

Pergunta: Desde a promulgação em Julho último do Motu Proprio de Bento XVI que liberaliza parcialmente o rito tridentino da Missa, têm havido várias opiniões sobre o que é que isso significa ou o que é que isso pode significar para a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X. Algumas pessoas estão optimistas, outras dizem que é uma armadilha para a FSSPX e ainda algumas outras chegam mesmo a avançar que os líderes da Fraternidade estão a se preparar para «venderem-na» a Roma! Eu tenho a sensação de que o comum fiel da FSSPX estará um pouco confuso com isto tudo. O que é que V.ª Ex.ª Reverendíssima me pode aconselhar para que eu não me perca em jogos inúteis de adivinhas ou em medos desnecessários?

Resposta: Nós devemos salvar as nossas almas e para salvar as nossas almas devemos guardar a Fé Católica, porque "sem fé é impossível agradar a Deus" (Heb 11:6). O estupendo feito do Arcebispo Marcel Lefebvre entre 1970 quando fundou a FSSPX e 1991 quando morreu, foi que permitiu a muitas almas que guardassem a verdadeira Fé numa Igreja onde milhões de católicos estavam a perdê-la, consciente ou incoscientemente, porque os líderes da Igreja tinham passado a acreditar nos ideais anti-católicos do mundo moderno. Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965) que estes líderes se têm comportado como uns vendedores de gelo que estão convencidos que têm de expôr a sua mercadoria ao sol! A Igreja tem-se estado a derreter diante dos seus olhos desde então!

Porém, eles ainda se agarram como lapas às ideias anti-católicas do Vaticano II. Ao lado do Motu Proprio que aparentemente favorece a Missa da verdadeira Fé, Bento XVI organiza e preside a encontros ecuménicos que, ao colocarem a religião Católica mais ou menos ao mesmo nível de todas as outras religiões (oficialmente representadas e necessariamente mais ou menos falsas), constituem uma grave ofensa a Deus. Então, qualquer benevolência aparente que Bento XVI mostre para com a verdadeira Fé ou para com a verdadeira Missa, só pode significar que ele deseja que estas se reconciliem com a religião Conciliar e com todas as outras religiões! Portanto, se ele não é conscientemente um agente da maçonaria inimiga da Verdade, ele não tem, de qualquer maneira, nenhum entendimento sobre a verdadeira Fé e não pode, então, se aperceber de quão resolutamente ela se opõe à religião antropocêntrica do Vaticano II.

P: Foi então o Motu Proprio uma armadilha para atrair a FSSPX (juntamente com outros) para uma reconciliação com esta falsa Roma?

R: Apenas Deus saberá ao certo quais foram as intenções de Bento XVI. Qualquer que seja a sua benevolência para com a Tradição, para com a Fraternidade, para com a verdadeira Missa, ela pode ser, tanto quanto sabemos, subjectivamente sincera. Objectivamente, contudo, o Motu Proprio e a Carta aos Bispos que o acompanhou, não reconhece de todo os plenos direitos da verdadeira Missa ou da verdadeira Fé. Por isso, se alguém sugerir que ele os reconhece estaria, na verdade, a cair numa armadilha.

P: Contudo, tem havido muito louvor e pouca crítica ao Motu Proprio por parte da FSSPX.

R: Os católicos desejam há tanto tempo que os líderes da Igreja retornem à Fé que eles se regozijam ao menor indício de que Roma esteja a fazê-lo, mas infelizmente isso pode ser um erro. Do que é que serve se um matemático diz que dois mais dois são quatro, quando sabes que ao lado, e durante todo o tempo, ele diz que também são cinco? Ele obviamente não tem qualquer entendimento sobre a verdadeira matemática. De que serve Bento XVI dizer que a verdadeira Missa jamais foi abrogada e (dentro de certos limites) tê-la liberalizado, quando ao mesmo tempo continua a organizar eventos ecuménicos? Ele obviamente não tem qualquer entendimento sobre a verdadeira Fé.

P: E quanto ao rumor de que a FSSPX estaria a se preparar para "vender-se" a Roma?

R: Certamente que a FSSPX não tem qualquer intenção de trair a defesa da Fé que o Arcebispo Lefebvre lhe legou. Por isso, se algum dos seus membros tiver alguma séria intenção de se juntar aos neo-modernistas de Roma, então ele terá sido enganado pelo mundo moderno como tantos outros antes dele foram. Desta vez o logro tomará a forma de que as coisas melhoraram em Roma desde o tempo do Arcebispo. Mas isso não aconteceu. Objectivamente, a apostasia está tão viva como antes. Eu não posso acreditar que os herdeiros do Arcebispo Lefebvre se deixassem enganar dessa maneira.

P: Se a FSSPX fosse reabsorvida pela Igreja corrente, significaria isso que a crise da Igreja tinha chegado ao fim?

R: De todo. O problema não é a FSSPX ser "reabsorvida" ou não. O problema são os líderes da Igreja, especialmente o Papa. Quando eles retornarem à verdadeira Fé, e apenas então, terá a crise chegado ao fim.

P: E se a FSSPX for reabsorvida sem a crise ter chegado ao fim?

R: Nosso Senhor diz que "basta a cada dia o seu mal." Por outras palavras, nós atravessaremos essa ponte quando lá chegarmos, como o provérbio diz. Contudo, uma coisa é certa: o Bom Pastor NÃO PODE abandonar as ovelhas que não O querem abandonar. Não tenhais medo! Se pela Sua sabedoria e providência Ele deixasse a FSSPX falhar - e isso é apenas uma possibilidade e não uma certeza - Ele ofereceria a todas as ovelhas de boa vontade, de uma outra forma, toda a orientação e apoio de que necessitariam para salvar as suas almas.

P: Eu tenho uma sensação estranha de que haverão violentas tempestades no horizonte. O que é que V.ª Ex.ª Reverendíssima pensa disso?

R: Nada parece ser mais provável. A tempestade financeira já começou e está a crescer a cada dia que passa a olhos vistos, quer em peso, quer em rapidez. Tempestades económicas e políticas estão prestes a acontecer e, como castigo de Deus, e eu acredito nisso, a IIIª Guerra Mundial que será algo de terrível.

"Aqui na Terra tereis muitos sofrimentos"; diz Nosso Senhor, "mas tenhai coragem, porque Eu venci o mundo." (Jo 16:33)

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Oremus et pro perfidis Judaeis

Já é oficial! Após sofrer muitas pressões exteriores, Sua Santidade o Papa Bento XVI mudou a prece sobre a conversão dos Judeus na Liturgia de Sexta-Feira Santa do Missal Romano Tradicional. Como todos nós já sabemos, esta prece já tinha sido tristemente mutilada aquando da edição típica desde mesmo missal em 1962 pelo então Papa João XXIII, também ele motivado por lobbies externos e pelos ventos ecuménicos que marcariam o Concílio e a Igreja desde então.

Na altura, a alteração consistiu em retirar as palavras "perfidis" (infiéis) e "Judaicam perfidiam" (infidelidade judaica) da prece original, algo que já consternara o mundo católico de então. Para piorar ainda as coisas, no rito novo inaugurado pelo infeliz Missal de Paulo VI (1970) e ainda em vigor, esta prece é despojada de toda a sua catolicidade, completamente refeita do zero à semelhança do resto do missal, omitindo-se a intenção pela conversão dos judeus e introduzindo-se a abominável heresia de que a Igreja pede a Deus para que eles "cresçam em fidelidade à sua Aliança", isto é, ao Antigo Testamento que cessara em Cristo e que está despojado de qualquer valor salvífico, como sabemos por fé divina e católica!

Os tristes acontecimentos de então, repetem-se hoje outra vez sob os nossos olhos. Embora a nova prece redigida pelo Papa mantenha a noção de conversão do povo Judaico a Cristo Nosso Senhor, a sua introdução forçada no Rito Romano de Sempre, acabado de ser liberalizado pelo motu proprio, abre um precedente grave em relação a futuras alterações modernistas do mesmo e revela que o Ecumenismo, a politiquice e o fumo de Satanás ainda mandam no Vaticano, e não o Espírito Santo.

Gostaria de citar ainda uns considerandos que considero pertinentes, e que li num fórum católico tradicionalista acerca desta mais recente manifestação do "Novo Pentecostes" na nossa Igreja.

1. Louvaríamos o Romano Pontífice se esta nova prece tivesse sido inserida no Novus Ordo Missae. Mas não foi, e provavelmente não irá ser.

2. Poderemos estar certos que a F.S.S.P.X. e outros grupos tradicionalistas não irão cometer o crime litúrgico de usar esta nova prece em vez da prece que o Rito Romano prescreve desde tempos imemoriais (desde antes do séc. V d.C.)

3. Pensamos que este “gesto” é um gesto feito em função dos inimigos da Fé, dos sionistas e de outros caluniadores afins. Este gesto encerra a noção abominável de que a prece tradicional do Rito Romano para a conversão dos Judeus é de algum modo anti-semítica, deficiente ou incorrecta. Este episódio vem também provar que são na verdade os sionistas e os modernistas que controlam a Liturgia da Igreja conciliar, e não a Tradição Católica e Apostólica.

4. Manifesta-se aqui outra vez uma tendência que, não sendo em si herética, mas adorada pelos modernistas e pelos seguidores da teologia alternativa de João Paulo II, poderá ser apelidada de “Universalismo”, i.e., uma linguagem que tende a acentuar desmesuradamente o desejo universal pela salvação de Deus, invés de realçar os horrendos pecados humanos que provocam a justa ira de Deus: neste caso a “infidelidade judaica” (Judaicam perfidiam).

5. Podemos observar como muitos doutorados e outros católicos neo-conservadores, neo-tradicionalistas e pró-Vaticano II, já andam a tentar defender esta acção do Papa, mas na verdade isto não se trata de mais nada do que uma pura capitulação à pressão dos lobbies de grupos judaicos! O que virá a seguir? A proibição de rezar pela conversão da Rússia depois de um grupo de diplomatas de Putin vir reclamar ao Vaticano? Já poderemos antever a exclusão das preces leoninas após a Missa que foram acrescentadas para esse mesmo efeito. Aliás, isso já foi feito aquando da Revolução Litúrgica pós-conciliar dos anos sessenta, por isso é apenas uma questão de aguardarmos pelas directrizes de Moscovo outra vez!

6. É justo que se diga que, melhor do que se temia a priori, esta prece não é formalmente herética quanto ao seu conteúdo. Contudo, não deixa de ser uma capitulação formal aos interesses dos inimigos de Cristo e uma decapitação das sociedades tradicionalistas regularizadas com Roma, como a dos Padres de Campos, o Instituto do Bom Pastor, a F.S.S.P., etc. Além do mais, este gesto do Papa reforça em público a ultrajante noção dos marxistas, liberais e sionistas de que a prece do Rito Romano antigo (o original) era, de alguma forma, anti-semítica ou errada e que, portanto, a liturgia da Igreja é ou pode ser defeituosa, e que pode ser “fabricada na hora” ou mudada na hora, algo que o próprio Cardeal Ratzinger alegadamente lamentara no seu livro “Der Geist der Liturgie”.

7. Este gesto subjuga a Liturgia Romana totalmente aos caprichos e ao consentimento dos infiéis, cismáticos, hereges, Judeus e ateus, faz dela uma afirmação política e é, na sua essência, uma politização da Igreja. A Igreja do Vaticano II promove tristemente a separação do Estado e da Igreja (cfr. os discursos de Bento XVI sobre o “laicismo saudável”), mas permite ao mesmo tempo que estados como Israel, ou grupos de interesse afiliados a esse estado, interfiram com assuntos internos da Igreja, como é a Sagrada Liturgia! É atirar pérolas aos porcos, algo sobre o qual Nosso Senhor já nos havia advertido seriamente.

Quando é que será que o Vaticano irá condenar o Islão pelas suas crenças anti-Cristãs, ou quando é que será que Bento XVI irá condenar o Judaísmo Talmúdico pela a religião verdadeiramente odiosa que é?

Não estamos à espera disso, sabemos bem da agenda ecuménica a seguir pelo Vaticano.

Esta prece não é herética em si, este gesto não constitui uma heresia pública, mas traz-nos à memória a imagem de S. Pedro escondido num canto, negando que conhecia Nosso Senhor frente aos judeus e aos fanáticos da corte de Caifás. A avaliação geral deste novo episódio é escatologicamente apocalíptica, e deveras negativa no nosso entender, mesmo se todos os neo-conservadores andam a louvar em jeito de coro o Papa.

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Ainda há esperança!

Pedindo desde já as minhas desculpas aos leitores que por aqui ainda passam, pela ausência continuada de posts desde há uns dois meses para cá, queria partilhar com todos vós uns pequenos excertos de um artigo de opinião que encontrei há sensivelmente um mês atrás - 9 de Janeiro para ser mais preciso - publicado no Jornal da Madeira, o matutino diário de segunda maior tiragem no Arquipélago e que ainda tem ligações formais à diocese do Funchal.

Este artigo, de título A caminho de uma nova “igreja patriótica”?, chamou-me particularmente à atenção porque o autor, um tal de Humberto Flávio Xavier, doutorado em Direito, embora não perfilhando totalmente de uma visão católica tradicional, constitui uma lufada de ar fresco nos artigos de opinião correntes na nossa imprensa em relação à Igreja, quer de leigos, quer, infelizmente, de sacerdotes.

Após um breve intróito sobre a situação das comunidades religiosas na China que são controladas e escrutinadas pelo governo chinês, ele passa ao ataque directo, criticando de alto abaixo a Igreja portuguesa que insinua estar a apresentar sinais de alguns laivos de independentismo em relação ao Papa, quase que numa atitude pré-cismática de uma “igreja patriótica”, à la igreja de Henrique VIII.

Segundo as suas palavras, o autor pergunta se “será que existe uma tentação de subtrair a Igreja portuguesa à obediência papal e que, numa coligação de agnósticos, apóstatas e inocentes úteis, possa estar a encarar um aproveitamento do modelo chinês, o que não surpreenderia, dada a apetência governamental pelo controlo absoluto da sociedade?”

Para ilustrar o que ele julga ser a vaga de disparates que assola a Igreja portuguesa, o autor guia-nos numa viagem alucinante através de uma colecção de dislates e heresias que ele recolhera de testemunhos públicos do clero português (e não só) acerca da subida ao trono de Pedro do cardeal Joseph Ratzinger.

Entre este chorrilho viperino de abominações contra a Esposa de Cristo, começo por destacar as afirmações de Sua Excelência o bispo D. Januário Torgal Ferreira, o infame “bispo de esquerda”, que diz: "Percebo que os cardeais optaram pela solidez e segurança, que não seriam possíveis se viesse um Papa de outros ventos que criaria um certo rebuliço. (…) Mas, verdade seja dita, também não acredito que haja, neste momento, qualquer cardeal capaz de responder à chamada agenda da comunicação social."

Ah, então afinal a Igreja tem de se guiar é pela “chamada agenda da comunicação social”, e não pelo Espírito Santo! Interessante…

Sua Excelência continua, dizendo: "E, sinceramente, não vejo qualquer outro cardeal com capacidade para estar mais solícito a responder a questões vulcânicas, como o problema do sacerdócio das mulheres, a opção livre pelo celibato, os recasados, os contraceptivos…O problema é que ainda não há uma terceira via, entre os dois pontos radicais em que se colocam as questões."

Questões vulcânicas? O “sacerdócio das mulheres” é uma impossibilidade teológica, já definida e condenada vezes sem conta pela Igreja, a “opção livre pelo celibato” é um disparate pernicioso que vai contra toda a tradição eclesial da igreja romana, os tais “recasados” estão a viver em pecado mortal e em directa contradicção com a lei de Deus, e os “contraceptivos” vão contra a lei natural, tal como Deus a estabeleceu e tal como a doutrina católica tem afirmado desde sempre. Estas não são questões nem vulcânicas, nem irénicas, simplesmente não são questões! Ou por outra, são questões da tal “agenda da comunicação social” e do clero e laicado apóstata e idólatra, não da Igreja de Cristo.

Então, Sua Excelência remata com a seguinte pérola: “A Igreja não tem de discutir na praça pública, mas é necessário que encontre um novo modelo de escuta. É preciso dar espaço ao mundo para falar.

É preciso dar espaço ao mundo para falar? Não é o mundo que define a doutrina católica, mas o Espírito Santo através da Igreja! Não podia haver maior barbaridade do que esta! Deve ser a democracia espiritual em acção! Satânica certamente. Bem nos avisou Nosso Senhor quando disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”. Sua Excelência, D. Januário, é um destes lobos vorazes, mas infelizmente não anda sozinho: a Igreja de hoje anda cheia de matilhas destes lobos pestilentos.

O nosso autor do artigo continua bem, dando exemplos de jornais como O Público, que citava abundantemente o herege Hans Küng como se de uma autoridade da Igreja se tratasse, além do profeta da teologia da libertação, Leonardo Boff. Após mais alguns tristes mas pertinentes exemplos da nossa praça, de entre os quais o do Pe. Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, e o do Pe. Mário Oliveira, o autor reserva o ataque final para Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, entretanto também já severamente criticado e exposto pelos seus tiques apóstatas neste modesto blogue.

O autor dispara, dizendo “o dito patriarca coloca o Concílio Vaticano II acima de tudo, mesmo do dogma da infalibilidade papal. Para este digno candidato a cismático, o ex-libris conciliar é a reforma litúrgica, pelo que o Summorum Pontificum Cura – onde é autorizada e regulada a opção pela celebração das missas em latim, permitindo aos padres retomarem o ritual litúrgico de 1962, é proibido na diocese de Lisboa, pelo menos aos domingos, sendo que durante a semana é possível a celebração em latim apenas aos sacerdotes considerados “idóneos” para essas missas por conhecerem a língua, frisando que “já são poucos os que conhecem essa língua”.

Abster-me-ei de comentar de novo os despautérios de Sua Eminência, visto que já o fizera pormenorizadamente nos artigos D. José Policarpo: a reacção de um modernista (I) e (II). O autor finaliza o seu artigo de opinião perguntando-se se “agora com o anúncio da hipótese de Bento XVI vir a celebrar a missa do Advento segundo o rito pré-conciliar, como irá reagir o patriarca que temos? Optará por declarar Bento XVI como um anti-papa? Ou finalmente abandonará o seu afastamento da cadeira de Pedro?

Apesar destas perguntas retóricas finais que revelam uma certa ingenuidade quer em relação às intenções do Patriarca, quer em relação às do próprio Papa, fiquei agradavelmente surpreso pelo teor geral deste artigo, algo raríssimo de encontrar publicado na nossa imprensa nacional. É mais um sinal de que ainda há esperança para a Igreja em Portugal e que devemos estar prontos a sofrer por ela, imitando Nosso Senhor no Calvário, para a defesa e propagação da fé única e salvífica, pela conversão dos pecadores, cismáticos e hereges que abundam nas nossas dioceses, paróquias e fora delas, e pela expulsão de Satanás do Templo de Deus.

O desafio já fora sugerido e feito pelo blogue Ascendens a todos os católicos tradicionalistas, a começar pelos que escrevem frequentemente em blogues, para juntarmos forças. Comecemos pois, antes de mais, em cada paróquia nossa a darmos esse testemunho da verdadeira fé, a alertar e a corrigir o erro doutrinal e a sensibilizar os outros para a riqueza e pureza do Catolicismo de sempre. O panorama é terrível, confesso, e mesmo desmotivador, mas temos de ser perseverantes na fé, na oração e na acção.

A causa não está perdida, porque Deus não abandona a sua Igreja!