Ainda há esperança!
Pedindo desde já as minhas desculpas aos leitores que por aqui ainda passam, pela ausência continuada de posts desde há uns dois meses para cá, queria partilhar com todos vós uns pequenos excertos de um artigo de opinião que encontrei há sensivelmente um mês atrás - 9 de Janeiro para ser mais preciso - publicado no Jornal da Madeira, o matutino diário de segunda maior tiragem no Arquipélago e que ainda tem ligações formais à diocese do Funchal.
Este artigo, de título A caminho de uma nova “igreja patriótica”?, chamou-me particularmente à atenção porque o autor, um tal de Humberto Flávio Xavier, doutorado em Direito, embora não perfilhando totalmente de uma visão católica tradicional, constitui uma lufada de ar fresco nos artigos de opinião correntes na nossa imprensa em relação à Igreja, quer de leigos, quer, infelizmente, de sacerdotes.
Após um breve intróito sobre a situação das comunidades religiosas na China que são controladas e escrutinadas pelo governo chinês, ele passa ao ataque directo, criticando de alto abaixo a Igreja portuguesa que insinua estar a apresentar sinais de alguns laivos de independentismo em relação ao Papa, quase que numa atitude pré-cismática de uma “igreja patriótica”, à la igreja de Henrique VIII.
Segundo as suas palavras, o autor pergunta se “será que existe uma tentação de subtrair a Igreja portuguesa à obediência papal e que, numa coligação de agnósticos, apóstatas e inocentes úteis, possa estar a encarar um aproveitamento do modelo chinês, o que não surpreenderia, dada a apetência governamental pelo controlo absoluto da sociedade?”
Para ilustrar o que ele julga ser a vaga de disparates que assola a Igreja portuguesa, o autor guia-nos numa viagem alucinante através de uma colecção de dislates e heresias que ele recolhera de testemunhos públicos do clero português (e não só) acerca da subida ao trono de Pedro do cardeal Joseph Ratzinger.
Entre este chorrilho viperino de abominações contra a Esposa de Cristo, começo por destacar as afirmações de Sua Excelência o bispo D. Januário Torgal Ferreira, o infame “bispo de esquerda”, que diz: "Percebo que os cardeais optaram pela solidez e segurança, que não seriam possíveis se viesse um Papa de outros ventos que criaria um certo rebuliço. (…) Mas, verdade seja dita, também não acredito que haja, neste momento, qualquer cardeal capaz de responder à chamada agenda da comunicação social."
Ah, então afinal a Igreja tem de se guiar é pela “chamada agenda da comunicação social”, e não pelo Espírito Santo! Interessante…
Sua Excelência continua, dizendo: "E, sinceramente, não vejo qualquer outro cardeal com capacidade para estar mais solícito a responder a questões vulcânicas, como o problema do sacerdócio das mulheres, a opção livre pelo celibato, os recasados, os contraceptivos…O problema é que ainda não há uma terceira via, entre os dois pontos radicais em que se colocam as questões."
Questões vulcânicas? O “sacerdócio das mulheres” é uma impossibilidade teológica, já definida e condenada vezes sem conta pela Igreja, a “opção livre pelo celibato” é um disparate pernicioso que vai contra toda a tradição eclesial da igreja romana, os tais “recasados” estão a viver em pecado mortal e em directa contradicção com a lei de Deus, e os “contraceptivos” vão contra a lei natural, tal como Deus a estabeleceu e tal como a doutrina católica tem afirmado desde sempre. Estas não são questões nem vulcânicas, nem irénicas, simplesmente não são questões! Ou por outra, são questões da tal “agenda da comunicação social” e do clero e laicado apóstata e idólatra, não da Igreja de Cristo.
Então, Sua Excelência remata com a seguinte pérola: “A Igreja não tem de discutir na praça pública, mas é necessário que encontre um novo modelo de escuta. É preciso dar espaço ao mundo para falar.”
É preciso dar espaço ao mundo para falar? Não é o mundo que define a doutrina católica, mas o Espírito Santo através da Igreja! Não podia haver maior barbaridade do que esta! Deve ser a democracia espiritual em acção! Satânica certamente. Bem nos avisou Nosso Senhor quando disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”. Sua Excelência, D. Januário, é um destes lobos vorazes, mas infelizmente não anda sozinho: a Igreja de hoje anda cheia de matilhas destes lobos pestilentos.
O nosso autor do artigo continua bem, dando exemplos de jornais como O Público, que citava abundantemente o herege Hans Küng como se de uma autoridade da Igreja se tratasse, além do profeta da teologia da libertação, Leonardo Boff. Após mais alguns tristes mas pertinentes exemplos da nossa praça, de entre os quais o do Pe. Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, e o do Pe. Mário Oliveira, o autor reserva o ataque final para Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, entretanto também já severamente criticado e exposto pelos seus tiques apóstatas neste modesto blogue.
O autor dispara, dizendo “o dito patriarca coloca o Concílio Vaticano II acima de tudo, mesmo do dogma da infalibilidade papal. Para este digno candidato a cismático, o ex-libris conciliar é a reforma litúrgica, pelo que o Summorum Pontificum Cura – onde é autorizada e regulada a opção pela celebração das missas em latim, permitindo aos padres retomarem o ritual litúrgico de 1962, é proibido na diocese de Lisboa, pelo menos aos domingos, sendo que durante a semana é possível a celebração em latim apenas aos sacerdotes considerados “idóneos” para essas missas por conhecerem a língua, frisando que “já são poucos os que conhecem essa língua”.
Abster-me-ei de comentar de novo os despautérios de Sua Eminência, visto que já o fizera pormenorizadamente nos artigos D. José Policarpo: a reacção de um modernista (I) e (II). O autor finaliza o seu artigo de opinião perguntando-se se “agora com o anúncio da hipótese de Bento XVI vir a celebrar a missa do Advento segundo o rito pré-conciliar, como irá reagir o patriarca que temos? Optará por declarar Bento XVI como um anti-papa? Ou finalmente abandonará o seu afastamento da cadeira de Pedro?”
Apesar destas perguntas retóricas finais que revelam uma certa ingenuidade quer em relação às intenções do Patriarca, quer em relação às do próprio Papa, fiquei agradavelmente surpreso pelo teor geral deste artigo, algo raríssimo de encontrar publicado na nossa imprensa nacional. É mais um sinal de que ainda há esperança para a Igreja em Portugal e que devemos estar prontos a sofrer por ela, imitando Nosso Senhor no Calvário, para a defesa e propagação da fé única e salvífica, pela conversão dos pecadores, cismáticos e hereges que abundam nas nossas dioceses, paróquias e fora delas, e pela expulsão de Satanás do Templo de Deus.
O desafio já fora sugerido e feito pelo blogue Ascendens a todos os católicos tradicionalistas, a começar pelos que escrevem frequentemente em blogues, para juntarmos forças. Comecemos pois, antes de mais, em cada paróquia nossa a darmos esse testemunho da verdadeira fé, a alertar e a corrigir o erro doutrinal e a sensibilizar os outros para a riqueza e pureza do Catolicismo de sempre. O panorama é terrível, confesso, e mesmo desmotivador, mas temos de ser perseverantes na fé, na oração e na acção.
A causa não está perdida, porque Deus não abandona a sua Igreja!

3 comentários:
"VETUS ORDO" meu caro amigo e irmão na Fé;
Salve Maria.
Fico muito contente pela volta, depois destes dois meses. Todos ficamos muito contentes certamente.
Gostei muito deste artigo e é bom ver que realmente o nosso trabalho é levado às pessoas, sejam aquelas que procuram por motivos de Fé ou por motivos de informação.
É certo que JÁ há melhorarias no panorama EXTERIOR AOS BLOGS, devido ao trabalho que todos juntos temos feito. Já tinha havido, mesmo dentro da CEP, eu sei.
É pena não podermos gerir ainda os resultados do nosso trabalho porque o trabalho de blogger é apenas o resultado de não termos voz fora deste meio nem haverem já estruturas que encaminhem esta causa dentro das dioceses: são criadas pastorais de tudo principalmente aquelas que são podem servir contra a nossa causa.
Fica com este artigo provado que a primeira parte do trabalho foi conseguida e que já deveríamos ter uma plataforma de trabalho no terreno não virtual.
É simples chegar aos objectivos, embora não seja fácil. O trabalho não coordenado, receio eu, daquele que já foi feito e nem se sabe, vai dar mais trabalho ainda... Pena que alguns senhores já se tenham querido adiantar sem contar com a unidade primeiro. É o caso de um dos nossos amigos bloguistas. Receio que haja passos dados que são oportunidades perdidas e que não se voltam a ter... mas enfim... espero estar apenas a pensar.
Estamos do lado da Igreja, pela Verdade e pela verdade.... Que temer? Só podemos temer pelo não trabalho ou pelo descuido...
Somos responsáveis pela onda que estamos a levantar... mas não devemos não ser responsáveis pelos efeitos MAUS dela, pois haverá muitos que pensem que estamos a travar uma guerra contra a Igreja ou contra o clero ao não o contrário.
Gostaria de ter uma fotocopia ou uma digitalização desse artigo de jornal... ou está online?
In corde Jesu, semper.
Caríssimo, Ascendes.
Sei da sua preocupação, mas lembre que são os fatos negativos que falam por si.
Mons. Lefevbre estava certo em apontar o estado de necessidade. Porque é algo muito profundo e poucas linhas são muitos insuficientes.
Vejam os nossos cardeias, bispos e padres. Uma tristeza...
Se o Esplendor, como uma vela em cima da mesa, fosse clara, não haveria até tantos "blogs" para combater o modernismo - claro que a Igreja não é pecadora, como alguns modernistas até dizem.
Na minha cidade (Brasil), é um fim de mundo. Não existe a Verdade há um bom tempo.
Sei que em Portugal a situação é mui grave. Até hoje não tive conhecimento de alguma Missa de sempre de uma tradicional e antiga diocese portuguesa no pós-Motu Proprio.
A última Missa antiga celebrada aqui, foi no começo dos anos 70.
Depois...
Bom, vamos tentar novamente a Missa de sempre a pedir assim o arcebispo local.
Mas, como escreve Ancien, a "causa não está perdida, porque Deus não abandona a sua Igreja!"
Rezemos ao Papa.
Pax et Bonum!
É muito bom saber que existem tradicionalistas espalhados pelo o mundo. "Ide e ensinai o evangelho a toda criatura".
Não temos vez, mas pela internet podemos expor a doutrina católica e nos tornamos formadores de opiniões, e o melhor, formadores de opiniões que direcionam para a verdade.
Não era intenção do Concílio abrir as portas para os leigos? Pois aqui estamos. Só que opostos a ele.
Continuemos firmes!
Regina Pacis, ora pro nobis.
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