quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Oremus et pro perfidis Judaeis

Já é oficial! Após sofrer muitas pressões exteriores, Sua Santidade o Papa Bento XVI mudou a prece sobre a conversão dos Judeus na Liturgia de Sexta-Feira Santa do Missal Romano Tradicional. Como todos nós já sabemos, esta prece já tinha sido tristemente mutilada aquando da edição típica desde mesmo missal em 1962 pelo então Papa João XXIII, também ele motivado por lobbies externos e pelos ventos ecuménicos que marcariam o Concílio e a Igreja desde então.

Na altura, a alteração consistiu em retirar as palavras "perfidis" (infiéis) e "Judaicam perfidiam" (infidelidade judaica) da prece original, algo que já consternara o mundo católico de então. Para piorar ainda as coisas, no rito novo inaugurado pelo infeliz Missal de Paulo VI (1970) e ainda em vigor, esta prece é despojada de toda a sua catolicidade, completamente refeita do zero à semelhança do resto do missal, omitindo-se a intenção pela conversão dos judeus e introduzindo-se a abominável heresia de que a Igreja pede a Deus para que eles "cresçam em fidelidade à sua Aliança", isto é, ao Antigo Testamento que cessara em Cristo e que está despojado de qualquer valor salvífico, como sabemos por fé divina e católica!

Os tristes acontecimentos de então, repetem-se hoje outra vez sob os nossos olhos. Embora a nova prece redigida pelo Papa mantenha a noção de conversão do povo Judaico a Cristo Nosso Senhor, a sua introdução forçada no Rito Romano de Sempre, acabado de ser liberalizado pelo motu proprio, abre um precedente grave em relação a futuras alterações modernistas do mesmo e revela que o Ecumenismo, a politiquice e o fumo de Satanás ainda mandam no Vaticano, e não o Espírito Santo.

Gostaria de citar ainda uns considerandos que considero pertinentes, e que li num fórum católico tradicionalista acerca desta mais recente manifestação do "Novo Pentecostes" na nossa Igreja.

1. Louvaríamos o Romano Pontífice se esta nova prece tivesse sido inserida no Novus Ordo Missae. Mas não foi, e provavelmente não irá ser.

2. Poderemos estar certos que a F.S.S.P.X. e outros grupos tradicionalistas não irão cometer o crime litúrgico de usar esta nova prece em vez da prece que o Rito Romano prescreve desde tempos imemoriais (desde antes do séc. V d.C.)

3. Pensamos que este “gesto” é um gesto feito em função dos inimigos da Fé, dos sionistas e de outros caluniadores afins. Este gesto encerra a noção abominável de que a prece tradicional do Rito Romano para a conversão dos Judeus é de algum modo anti-semítica, deficiente ou incorrecta. Este episódio vem também provar que são na verdade os sionistas e os modernistas que controlam a Liturgia da Igreja conciliar, e não a Tradição Católica e Apostólica.

4. Manifesta-se aqui outra vez uma tendência que, não sendo em si herética, mas adorada pelos modernistas e pelos seguidores da teologia alternativa de João Paulo II, poderá ser apelidada de “Universalismo”, i.e., uma linguagem que tende a acentuar desmesuradamente o desejo universal pela salvação de Deus, invés de realçar os horrendos pecados humanos que provocam a justa ira de Deus: neste caso a “infidelidade judaica” (Judaicam perfidiam).

5. Podemos observar como muitos doutorados e outros católicos neo-conservadores, neo-tradicionalistas e pró-Vaticano II, já andam a tentar defender esta acção do Papa, mas na verdade isto não se trata de mais nada do que uma pura capitulação à pressão dos lobbies de grupos judaicos! O que virá a seguir? A proibição de rezar pela conversão da Rússia depois de um grupo de diplomatas de Putin vir reclamar ao Vaticano? Já poderemos antever a exclusão das preces leoninas após a Missa que foram acrescentadas para esse mesmo efeito. Aliás, isso já foi feito aquando da Revolução Litúrgica pós-conciliar dos anos sessenta, por isso é apenas uma questão de aguardarmos pelas directrizes de Moscovo outra vez!

6. É justo que se diga que, melhor do que se temia a priori, esta prece não é formalmente herética quanto ao seu conteúdo. Contudo, não deixa de ser uma capitulação formal aos interesses dos inimigos de Cristo e uma decapitação das sociedades tradicionalistas regularizadas com Roma, como a dos Padres de Campos, o Instituto do Bom Pastor, a F.S.S.P., etc. Além do mais, este gesto do Papa reforça em público a ultrajante noção dos marxistas, liberais e sionistas de que a prece do Rito Romano antigo (o original) era, de alguma forma, anti-semítica ou errada e que, portanto, a liturgia da Igreja é ou pode ser defeituosa, e que pode ser “fabricada na hora” ou mudada na hora, algo que o próprio Cardeal Ratzinger alegadamente lamentara no seu livro “Der Geist der Liturgie”.

7. Este gesto subjuga a Liturgia Romana totalmente aos caprichos e ao consentimento dos infiéis, cismáticos, hereges, Judeus e ateus, faz dela uma afirmação política e é, na sua essência, uma politização da Igreja. A Igreja do Vaticano II promove tristemente a separação do Estado e da Igreja (cfr. os discursos de Bento XVI sobre o “laicismo saudável”), mas permite ao mesmo tempo que estados como Israel, ou grupos de interesse afiliados a esse estado, interfiram com assuntos internos da Igreja, como é a Sagrada Liturgia! É atirar pérolas aos porcos, algo sobre o qual Nosso Senhor já nos havia advertido seriamente.

Quando é que será que o Vaticano irá condenar o Islão pelas suas crenças anti-Cristãs, ou quando é que será que Bento XVI irá condenar o Judaísmo Talmúdico pela a religião verdadeiramente odiosa que é?

Não estamos à espera disso, sabemos bem da agenda ecuménica a seguir pelo Vaticano.

Esta prece não é herética em si, este gesto não constitui uma heresia pública, mas traz-nos à memória a imagem de S. Pedro escondido num canto, negando que conhecia Nosso Senhor frente aos judeus e aos fanáticos da corte de Caifás. A avaliação geral deste novo episódio é escatologicamente apocalíptica, e deveras negativa no nosso entender, mesmo se todos os neo-conservadores andam a louvar em jeito de coro o Papa.

6 comentários:

Othon disse...

Já saiu a notícia que os redentoristas transalpinos de Papa Stronsay (que são ligados à FSSPX) disseram que irão aderir à nova oração dos judeus (http://rorate-caeli.blogspot.com/2008/02/obey-with-submission.html).

Há um artigo de John Vennari sobre o assunto no seguinte link: http://www.cfnews.org/goodfriday.htm

ascendens disse...

Tenho uma dúvida GRANDE....
O Papa mudou onde? Mudou o Rito Romano? Inventou mais uma expressão Hiper-Extraordinária do Rito Romano? Mudou o Missal de João XXIII? Mudou o Missal de São Pio V? Ou temos agora o Missal de Bento XVI?
É FUNDAMENTAL ENTENDER ONDE FOI A MUDANÇA... pois no missal de João XXIII e no de Paulo VI tudo pode ser mudado inclusivamente ficarem a apanhar pó. O Rito Romano é fixado com o Missal de São Pio V e esse não foi mudado... reparem na asneira: "O missal de Paulo VI é a expressão do Rito Romano, o Missal de João XXIII é expressão extraordinária do Rito Romano, o Rito Romano é fixado com o Missal de São Pio V, depois deste não há mais abrogaçoes - ora se o Missal de João XXIII não diferem internamente em nada do Missal de S. Pio V significa que a expressão extraordinária são dois missais? E se deitarmos o Missal de João XXIII para as calendas gregas? E se o alterarem? Muda alguma coisa no Rito Romano ou na sua expressão extraordinária? Agora acontece que alguns vão negar o Missal de João XXIII mudado na oração pelos judeus... E depois? O de João XXIII é um "artifício".

Anónimo disse...

Bom Dia
gostava muito de poder assistir uma missa no rito anterior ao Vaticano II.
É possível faze-lo no Patriarcado de Lisboa?

Obrigado.

Ancien Régime disse...

Caro Ascendens,

Simplificando a coisa: o Papa alterou, isto é, modificou através da alteração de uma prece aquele que é conhecido como o Missal de João XXIII.

O rito romano foi codificado pelo Missal de S. Pio V após o Concílio de Trento, mas este missal sofreu alterações de papas posteriores, sendo as mais significativas já feitas no séc. XX em virtude do espírito do tal "movimento litúrgico", com as alterações mais significativas sendo operadas em 1955 sob o pontificado de Pio XII com a alteração da liturgia da Semana Santa.

Claro que podemo-nos questionar tudo isto, visto que estas alterações já foram operadas sob Bugigni e sem dúvida com intenções modernistas em mente. Temos de perceber que as alterações pré-conciliares ao missal romano que ocorreram no início do séc. XX vêm já imbuidas do espírito e ocorrem por causa do "movimento litúrgico" que assentava na noção da "participação activa" dos leigos na liturgia, da qual as missas dialogadas (pré-paulinas) são filhas. Na minha opinião esta opção é já em si uma deturpação e um abuso modernista na liturgia de sempre.

Eu creio que a Igreja quando fôr restaurada tem de olhar para todo este perído com suspeição. Já não falo apenas da supressão do Concílio e da "missa" nova, mas da revisão cautelosa das inovações que foram sendo introduzidas lenta mas eficazmente no missal romano ao longo das primeiras cinco décadas do séc. XX.

Dito tudo isto, esta nova adição do Papa é intolerável e não sou o único católico a pensar assim.

Ancien Régime disse...

Caro anónimo que escreveu dia 22 de Fevereiro às 2:42 PM:

A possibilidade de assistir ao Santo Sacrifício da Missa em Lisboa só é possível, por enquanto e pela graça de Deus, na capelinha da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X que fica ao pé de Xabregas.

Os horários das missas e a localização da capela estão no lado direito do blogue.

Anónimo disse...

Caro Ancien Regime:

Dizer que o "Papa alterou, isto é, modificou através da alteração de uma prece aquele que é conhecido como o Missal de João XXIII" significa que a mesma pergunta que tinha colocado a todos está igual. Porque se foi o Missal alterado então o Rito não o foi, pois o Missal alterado não estabelece o Rito. Sendo assim, qualqer mudança no Missal de João XXIII, inclusivamente quima-lo" é igual a nada.

Quanto ao "Missal de S. Pio V após o Concílio de Trento, mas este missal sofreu alterações" é bom de afirmar mas até agora ninguem no mundo viu tais alteraçoes ao dito Missal. Agradeço que passes da afirmação, porque essa ja a sei de cor. Há mudançãs ao Rito Romano? Onde? O assunto da Semana Santa,é uma prova que o Missal nao mudou.

"Claro que podemo-nos questionar tudo isto, visto que estas alterações já foram operadas sob Bugigni e sem dúvida com intenções modernistas em mente." Isto não só é contrário a certos pontos da fé como vai contra o Motu Proprio Summorum Pontificum, pois os referidos Missais são um USO, forma, do Rito Romano e não o Rito Romano, ou seja, mudando algum deles não muda o Rito Romano.

É bom que se diga que o Rito Romano é fixado com o Missal de S. Pio V e, repito, não houve alteração alguma ao RITO.

"Dito tudo isto, esta nova adição do Papa é intolerável e não sou o único católico a pensar assim." Edição do que? O valha me Deus ... espero que vltes a ler o que tinha escrito antes. Se misturas tudo ...

AXCENDENS