terça-feira, 29 de Abril de 2008

Chamada à pedra

Levando em linha de conta uma presença mais assídua nos blogues da Tradição da brigada Novus Ordo, sinal por si só encorajador de que a Verdade da Igreja está aos poucos a passar cá para fora e abalar os alicerces de barro da fé conciliar, brigada essa que vem bradando aos sete ventos o quão cismáticos, excomungados e até protestantes somos todos nós, para além das ridículas acusações de "salázio-fascistas" (termo esse incompreensível) por parte de alguns "católicos-socialistas", porventura ignorando ou escarnecendo das sábias palavras de Pio XI que afirmou que "nenhum católico pode ser socialista" (Enc. Quadragesimo Anno, 1931). Detenho-me neste breve post a reproduzir, com uma ou outra alteração de pormenor, um excerto de perguntas e respostas (F.A.Q) de um conhecido site estrangeiro.

Parece-me pertinente esta chamada de atenção, acima de tudo tendo em conta que a brigada Novus Ordo quer à força que nos convertamos à fé conciliar que, alguns deles certamente em boa consciência, lunaticamente afirmam ser a Fé Católica, estigmatizando a heróica resistência católica como se de um bando de excomungados e hereges se tratasse, esquecendo-se eles mesmos de aplicar esses devidos conceitos teológicos aos verdadeiros excomungados e hereges que os ventos conciliares resolveram apelidar de "irmãos separados".

Passemos então a reproduzir a acusação frequente aos católicos tradicionais, aqui apelidados de "tradicionalistas" apenas por facilidade de expressão visto que o termo em si não é correcto, e a sua devida resposta.

Acusação: "Vocês soam a protestantes. Vocês desobedecem à Igreja e arranjam as vossas próprias desculpas para fazerem-no! Vocês rejeitam o Papa e os seus ensinamentos. Vocês não são nada mais do que uma espécie de protestantes!"

Resposta: Esta resposta terá duas partes. Primeiramente, vamos assumir que isto é verdade. Vamos assumir que sim, que somos na verdade uma espécie de protestantes, que somos o Martinho Lutero levado ao outro extremo. E daí? A Igreja do Vaticano II não tem nenhum problema com isso. Na verdade, o Vaticano II afirma (vd. Unitatis Redintegratio, nº 3) que como protestantes, nós os tradicionalistas, somos "justamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor" e - note-se bem! - não fomos de forma alguma "despojados de sentido e de significação no mistério da salvação" porque "o Espírito de Cristo não recusa servir-se [de nós] como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica. " Aí o têm! Descontraiam-se! Nós estamos muito honrados em ser protestantes, visto que o próprio Deus Nosso Senhor faz uso de nós para salvar almas! Na verdade, quando baptizamos alguém estamos a usar uma acção litúrgica que "deve mesmo ser tida como apta para abrir a porta à comunhão da salvação." Portanto, deixem de se queixar que somos protestantes. Vocês deveriam ter orgulho no facto de que somos protestantes! Estamos à espera que nos dêem anéis episcopais e cruzes peitorais, que assinem acordos teológicos connosco, que rezemos vésperas em conjunto e, quando um de nós deixar este mundo e fôr ter com o Pai, nós esperamos que imitem Bento XVI e que o declarem como tendo sido "um servo fiel" e como tendo atingido "a eterna glória"!

Passemos agora à segunda resposta. Sejamos sérios: são os tradicionalistas que assistem e promovem um rito protestante-modernista ilícito (e provavelmente inválido)? Não. São os tradicionalistas que assinam acordos teológicos com os hereges? Não. São os tradicionalistas que dizem que o Espírito Santo usa as seitas protestantes como meios de salvação? Não. São os tradicionalistas que agem como se os protestantes tivessem um mandato apostólico para pregar o Evangelho? Não. São os tradicionalistas que desbaratam insígnias da dignidade episcopal como os anéis ou as cruzes peitorais e oferecem-nos a leigos protestantes mascarados de clero? Não. São os tradicionalistas que convidam o clero protestante para serviços ecuménicos de culto partilhado e que permitem até a construção de igrejas partilhadas por católicos e protestantes, como o Directório sobre o Ecumenismo de João Paulo II diz (Pontificium consilium ad christianorum unitatem fovendam, n. 137-1140)? Não. São os tradicionalistas que ajudam os hereges a celebrarem os seus falsos cultos "dignamente" ao emprestarem-lhes o que fôr necessário para o mesmo, como João Paulo II disse que os seus bispos poderiam fazer (n. 137)? Não. São os tradicionalistas que negam, comprometem, ou obscurecem qualquer doutrina católica, especialmente as definidas pelo Concílio de Trento contra os protestantes? Não.

A Igreja Novus Ordo (ou Igreja conciliar) faz isso tudo. Os tradicionalistas não. E mesmo assim, nós é que somos os protestantes? A Igreja Novus Ordo é uma Igreja neo-protestante, uma filha bastarda do demónio, não é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica Romana, fora da qual não há salvação. É por isso que, apesar de todas as nossas imperfeições, deficiências e pecaminosidade, fazemos votos de a combatermos até à morte, justamente por amor à glória de Deus Nosso Senhor e confiando as nossas orações à Virgem Santíssima, aos Santos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e a todos os Santos e mártires que, preferindo antes a morte à apostasia, deixaram-nos o precioso exemplo e legado de defender, guardar e espalhar a santa fé única e salvífica a toda a criatura do mundo.

Não quero acabar sem antes deixar-vos as proféticas palavras do então Secretário de Estado do Vaticano, o Monsenhor Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII, vislumbrando a crise apocalíptica em que a Igreja se viria submergida anos depois:

"Estou preocupado com as mensagens da Virgem Santíssima a Lúcia de Fátima. Esta persistência de Maria acerca dos perigos que ameaçam a Igreja é um aviso divino contra o suicídio de alterar a Fé na sua liturgia...Um dia virá em que o mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem tornou-se Deus...Nas nossas igrejas, os cristãos procurarão em vão pela lâmpada vermelha onde Deus os espera, e como Maria Madalena a chorar diante o túmulo vazio, eles perguntarão 'para onde é que O levaram?'...Oiço a toda a minha volta inovadores que desejam desmantelar a Capela Sagrada, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os seus ornamentos e fazê-la sentir remorsos pelo seu passado histórico."

O quão actuais e proféticas se reveleram estas palavras do futuro Papa. O panorama é negro mas não temamos pois "se Deus é por nós, quem será contra nós?"

"Cristo vive, Cristo reina, Cristo impera!"

2 comentários:

ascendens disse...

Apenas um pequeno comentário:

Por exemplo, S. João Bosco era protestante por defender o mesmo que a Igreja? Não. O que defendem os católicos tradicionais que não fora defendido pelos santos e pela Santa Igreja? Evoluiu o dogma? Há outra igreja sobreposta à Igreja?

É so para quem aqui vier comentar possa ler e pensar ....

Escusam de esperar repostas a futuros comentários.

Anónimo disse...

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