quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

A melhor maneira de assistir à Missa, é rezar a Missa

Esta pequena reflexão é do Pe. Arthur Tonne, impresso pela primeira vez em 1950 em "Talks on the Mass". Tomei algumas liberdades com a tradução que se segue, mantendo-me o mais fiel à palavra do autor.


Uma das queixas mais comuns que se ouve entre os modernistas é de que a Igreja tem de mudar a Missa do latim para o vernáculo porque poucas são as pessoas que têm um conhecimento efectivo do latim para o poder compreender na totalidade. “Quando a Missa fôr dita no vernáculo”, dizem, “não restará dúvida alguma quanto ao que se passa no altar”. Contudo, como sabemos, esta observação não tem grande cabimento. Há, aliás, uma odiosa presunção patente em todo esse discurso de que a maioria dos fiéis católicos são uns imbecis e de que se sentam completamente perplexos e ignorantes nos bancos das igrejas sem a mínima ideia sobre aquilo que se está a passar no altar.


Presunções e afirmações deste género só podem vir de quem tem corações vazios e mentes fracas. Não quero, porém, assumir para já que os homens eruditos que propõem estas novidades litúrgicas, o fazem com um espírito malicioso, distorcendo propositadamente os factos para que sejam aprovadas mudanças radicais na Sagrada Liturgia que satisfaçam os seus objectivos.


Estes professores modernos da práxis litúrgica não conseguem ou não querem compreender o cerne da questão. Centenas de vezes ao dia, no nosso país e por todo o mundo fora, os fiéis são ensinados pelos seus pastores e por piedosos religiosos e religiosas como é que se deve assistir à Missa. Antes da sua Primeira Comunhão, as pequenas criancinhas são ensinadas pelas veneráveis irmãs como devem assistir à Missa. Seguramente que estas jovens mentes não conseguem compreender todo o Latim que o sacerdote diz, mas se alguém abordar alguma destas crianças, depois de ter sido instruida pelas freiras, e lhe perguntar o que é que o padre está a fazer no altar, ouso afirmar que até mesmo esse pequeno infante é capaz de dizer ao inquisidor, com a precisão própria da idade, o que é que o sacerdote está a fazer na Missa. A Igreja não tem, então, culpa alguma de manter os fiéis numa suposta escuridão quanto à compreensão da Missa só porque esta é dita em latim. Não! É por causa da falta de catequese e de instrução dos fiéis ou pela ignorância de católicos pouco piedosos que hoje são tantos os fiéis que afirmam que não sabem o que estão a fazer na Santa Missa e que a Missa em latim não tem nenhum significado para eles. Ora, para que possamos obter as maiores bênçãos da Santa Missa, devemos tentar cultivar uma devoção mais profunda e um entendimento mais completo deste sublime Sacrifício de Nosso Senhor.


Rezar com entendimento é o propóstio e a ambição que a Santa Madre Igreja tem para todos os seus filhos, especialmente no que à Santa Missa diz respeito. É impossível que cada paróquia no mundo tenha as boas irmãs para catequizar todos os seus fiéis. Mas é possível lutar e ansiar pelo dia em que cada católico capaz de ler tenha um missal consigo para acompanhar a liturgia, compreendendo assim mais profundamente o que se está a passar e o que se está a dizer no altar.


Inquestionavelmente, o melhor método de ouvir a Santa Missa é com um missal, i.e., um livro que tem a tradução em vernáculo das preces que o sacerdote diz no altar. Cada vez mais são os católicos que estão a usar este método inteligente de assistir ao Santo Sacrifício. Embora nem todas as pessoas tenham o que é conhecido como o “missal quotidiano”, muitas têm uma versão reduzida do missal maior que o padre usa no altar. Tem apenas as Missas dos Domingos e das festas principais. Alguns destes missais foram tão simplificados e ordenados que qualquer católico com uma inteligência média e capaz de ler poderá acompanhar as preces sem qualquer tipo de dificuldade. Mas quer se use um missal quotidiano, quer se use um missal dominical, o resultado será sempre o mesmo: aqueles que estão a assistir à Missa fá-lo-ão com maior devoção e com maior entendimento. Essa é a intenção expressa pelo Papa S. Pio X, que disse: “Não deveis apenas rezar na Missa, deveis rezar a Missa."


As variadas preces e cerimónias indicam o desejo maternal da Santa Madre Igreja de que os fiéis cooperem activamente com o sacerdote na celebração dos Sagrados Mistérios. A Missa não é a tarefa ou a função exclusiva do sacerdote, é também o sacrifício unido do sacerdote e do povo. É verdade que apenas o sacerdote tem o supremo poder de, in persona Christi, consagrar e oferecer o Sacrifício do altar à Santíssima Trindade para remissão dos nossos pecados. Contudo, nessa mesma oferenda, ele é assistido pelos fiéis. A melhor maneira para que todos possamos apreciar a beleza da liturgia e retirar dela todos os frutos é usando um desses missais.


Quando não se usa um missal, perde-se muito da profundidade das preces litúrgicas. Ainda que o sacerdote leia a Epístola e o Evangelho em vernáculo antes do sermão, muitas das belíssimas passagens da Sagrada Escritura citadas durante o resto da Missa serão ignoradas pela maioria dos fiéis que não tiverem o missal. Através de uma leitura atenta das palavras rezadas pelo sacerdote, pode-se compreender todo o tema da Igreja para um Domingo em particular. Sem o missal será mais difícil que o fiel possa encontrar o grande tesouro de graças que se encontra em muitas das preces da Missa.


Ainda que se recomende vivamente aos fiéis para que oiçam a Missa com um missal, o uso do mesmo não é de maneira alguma obrigatório! Há muitos outros métodos de assistir ao Santo Sacrifício que podem igualmente possibilitar à alma obter um grande número de graças. Há pessoas que têm preces ou devoções predilectas que usam desde a sua infância e que, a menos que as digam, não sentem que tenham ido à Missa. Outras encontram-se frequentemente a dizer o seu terço. Esta também é uma devoção eucarística: o Credo faz parte da Missa, assim como o Pai Nosso, e ambas estas preces também se encontram no Santíssimo Rosário. Se a recitação do terço durante a Missa leva o fiel a ter maior devoção e atenção aos mistérios da Missa, então, com a bênção de Deus, dizei essas preces e recitai essas devoções cada vez que o Santo Sacrifício fôr oferecido para a remissão dos nossos pecados.


Independentemente do método que se use para assistir à Santa Missa, o mais importante é que estejamos preparados e com as disposições certas. Ir à Missa só por obrigação irá progressivamente murchar o nosso coração e apagar a chama da caridade dentro de nós. A mente humana rapidamente começa a vaguear no silêncio da oração, por isso é importante que arranjemos instrumentos que nos ajudem a manter a devida atenção e a obter as maiores graças.


Os modernistas litúrgicos estão a fazer tudo o que podem para convencerem-nos de que a Missa em latim será a ruína da Igreja Católica na nossa idade moderna. Nós deveremos estar prontos para mostrar-lhes que a resposta para o incremento da devoção e da atenção dos fiéis à Liturgia não se encontra na introdução de ideias novas. Pelo contrário, virá do esforço pessoal de cada um para obter todos os frutos possíveis da sua assistência ao Santo Sacrifício do altar.

6 comentários:

Anónimo disse...

E se for com um sitema de tradução simultãnea, em vez do missal?

Ancien Régime disse...

Não, caro anónimo, a Santa Missa não é um programa de rádio ou de televisão.

ascendens disse...

Apoiado

ascendens disse...

Qualquer dia os modernistas ao meio da sua missa dizem "vamos embora, já vimos esta" :P

olga disse...

A MISSA DEVE SER TAL COMO É, COMO DEUS TB DEVE SER VISTO TAL COMO É. "... SOU AQUILO QU SOU..."

Ana Maria Nunes disse...

Olá!
Indiquei seu blog para o selo Blog de Ouro dá uma olhada:
http://sucessaoaapostolica.blogspot.com/2009/02/sucessao-apostolica-e-ouro.html